quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Acalanto

Mas eu sei que vou sentir falta. A gente sempre sente falta do que tanto reclama no final das contas, não é mesmo?

Vou sentir saudade de descer aquela ladeira pra ir até o metrô, e de na maioria das vezes, estar atrasada. Saudade de atravessar a cidade, a linha verde de uma ponta a outra, saudade da Zona Oeste. 

Acho que vou sentir saudade até do menino do ponto de ônibus, porque por mais que eu nunca tenha falado com ele, ele sempre estava lá pegando o mesmo ônibus que eu todo dia, e acho até que me acostumei com ele. 

Chegar aqui já pensando na hora de ir embora vai me fazer falta, por incrível que pareça. 

Vou sentir saudade de descer no ponto, e dar a volta na escolinha pra chegar até aqui. Saudade das criancinhas gritando no intervalo, e fora da hora do intervalo também. 

Saudade dos abraços que elas me davam sem nem me conhecer, e da saudade que eu sempre sinto da minha infância quando as vejo brincando por aqui. 

Vou morrer de saudade de cada pedacinho do céu que conheci nesse lugar, de cada pessoa maravilhosa que passou pelo meu caminho, deixaram um pouco de si, e levaram um pouco de mim. 

O que é que vai ser de mim sem as conversas, os desabafos, os conselhos, e as risadas? Ah, que saudade de vocês eu vou ter! 

Vou sentir falta de roubar o lanche da cozinha, ou de trazer pizza e pão de queijo pra fazer aqui mesmo. Saudade de roubar os petiscos do salão, e de ficar a tarde inteira assim, sem fazer nada. 

E quer saber a maior? Vou morrer de saudade das minhas poucas alunas, e de sentir que elas gostam de mim, e se apegaram a mim do jeito que hoje eu vejo que me apeguei a elas. Quero tanto que elas aprendam tudo que eu não tive a paciência de ensinar, e que fiquem felizes com o que aprendem como em todas as vezes que elas aprenderam algo novo e saíram daqui sorrindo! 

Vou sentir falta do ar-condicionado do carro na carona até o metrô, de ouvir sobre o trânsito, de falar besteira. Ah, quanta saudade, e quanta coisa pra sentir saudade!


Hoje percebo que não importa quantas reclamações eu tive pra fazer nesses seis meses, sim, essa era a minha segunda casa. E aqui não me faltaram amigos, não me faltaram conselhos, risadas ou ombro amigo. Sempre encontrei aqui o que poucas pessoas um dia encontraram em um ambiente de trabalho: acolhimento.

Hoje sei que não é por acaso que esse lugar se chama assim.

Obrigada, sentirei saudades!

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