quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Inferno particular



Hoje eu acordei chorando. Não sei o motivo, mas acordei.

Acordei com raiva das nuvens que encobriam o sol, da chuva que batia na janela, do frio que me prendia na cama.

Acordei e estava sozinha em casa. Ninguém pra me fazer café da manhã, pra perguntar o motivo das minhas lágrimas, pra me dizer que ia ficar tudo bem. Tudo o quê mesmo?

Eu quis jogar o celular longe quando vi que eram nove horas da manhã. Acordar todo dia esse horário já está virando praxe.

Eu acordei triste porque eu não consigo. Eu não consigo não fazer besteira e nem consertá-la quando ela já foi feita.  Sou incapaz.

Eu acordei querendo te fazer feliz e me sentindo culpada por tantas vezes não conseguir. 

Acordei pensando no seu sorriso e na raiva que tenho de mim quando ele se esconde por trás daquela cara fechada, que também é linda, mas que não é a sua.

Abri os olhos e quis deixar de ser eu. Quis ser melhor, pior, qualquer coisa que me fizesse mais leve, que te fizesse mais feliz. Qualquer coisa que não fosse eu e não tivesse essa terrível mania que eu tenho de fazer tudo errado.

Eu quis falar um mundo de coisas e permanecer em silêncio. Eu acordei com medo de falar. 

Acordei desejando que o silêncio me protegesse de mim mesma, e que te protegesse também. Mas eu quis gritar que estava triste e te pedir pra vir me fazer sorrir. Quis implorar por aquele abraço que você me dá quando eu choro. Aí eu fiquei com raiva porque eu lembrei que não merecia.

Hoje eu acordei querendo que seu time ganhasse, pra você ficar feliz e pra eu poder usar isso como desculpa pra essa cara de insatisfeita que eu acordei hoje. Lembra que ontem eu disse que já conhecia todas as suas expressões? Então, essa minha você não conhece. Essa nem eu conhecia.

Eu acordei querendo estalar os dedos e resolver tudo. Voltar pros dias lindos de sol que fizeram no final de semana. Por quê é mesmo que isso não pode acontecer? Eu esqueci que o tempo não volta atrás, e tive raiva.

Eu acordei no meu inferno particular: o do medo e da culpa. E quem não tem um desses e não entende do que eu tô falando, me perdoe, mas não é gente.

E aí eu escrevi esse texto, só pra me dar conta mais uma vez do óbvio: eu te amo falo demais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diz o que achou :)