terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Inocente em seus defeitos"

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Ela cultivava o que podia e como podia. O que estava ao seu alcance ela tentava fazer. Nem sempre do jeito certo, mas do jeito dela. Tentava manter o sorriso no rosto e a esperança de que no final tudo acabasse bem. Se o riso se apagava um pouco mais a cada vez? Não importava, ele ainda estava lá.

Fazia besteira adoidada, pedia desculpas mais vezes do que deveria, mas estava sempre tentando consertar de algum jeito suas constantes burradas. Simplesmente não era perfeita. Era aí que se guardava todo seu encanto.

Ela piscava os olhos e virava a cabeça do jeito que ele gostava. Fazia palhaçadas pra ele sorrir e falava besteiras para alegrá-lo. Queria estar sempre lá pra ajudar e desejava morrer quando ele estava a chorar. Mudou seus planos, refez a vida, se reinventou.

Estava longe de ser o sonho de alguém. Continuava respondona, grossa, falando mais do que devia.  Mas ainda ia dormir todos os dias pensando em ser melhor, pensando em merecer diariamente o que e quem estava ao seu redor.

O orgulho já havia melhorado, quase sumido, e ela ainda não conseguia decidir se isso era bom ou ruim. Aprendeu a ceder, a baixar a cabeça, a pedir desculpas mesmo que no fundo não se achasse tão errada. Mas era o que devia ser feito, e então ela fazia.

Começou a perceber que talvez não fosse tão mal querer menos pra si, se isso fosse melhor para o ‘nós’.  Acho que ela deixou um pouco de ser egoísta. Grandes sentimentos fazem isso, não fazem?

Ignorava todas as lágrimas que caíam. Depois de uma boa noite de sono sempre estava melhor. Nas noites em que não conseguia dormir ficava lembrando das coisas boas. Ainda podia sorrir, ainda acreditava no final feliz.

Não conseguia deixar um assunto mal resolvido. Isso a corroía, a machucava. Aprendia a fazer isso aos poucos, enquanto ia curando os cortes que se abriam no caminho. Nenhum ainda estaria aberto quando tudo chegasse ao fim.

Ela se olhava no espelho e se via diferente, se via melhor apesar das dificuldades. Sabia que havia alguém que era responsável por isso. Queria agradecer mas sabia que não adiantaria. Mais uma vez tentava usar o silêncio pra se proteger.

Ah, o silêncio. Esse sim, a matava.

3 comentários:

  1. Só posso dizer que adoreeei! Sem mais. (:

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  2. Parabéns Bá. Você escreve muito bem, fiquei bem tocado com o texto, sério. Continue escrevendo, ein!

    Bjo

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  3. Oi, agora eu tenho um blog e comento logada. HEHEHE

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