quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"A Onda dos Sonhos"

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Acordara assustada de novo. Não sabia porque aquilo ainda a incomodava. Era só o mesmo sonho. Aquele de todos os dias. Nada havia mudado. Eram só as mesmas ondas.

Ás vezes ela estava a beira da praia quando elas apareciam lá longe, na linha do horizonte. Eram enormes e a amedrontavam. Nunca a faziam mal, passavam por ela com a mesma força das ondas que quebravam fracas na beira da praia. Mas ganhou com isso o medo do mar.

Outras vezes elas apareciam no meio da cidade, qualquer lugar era lugar. Às vezes eram escuras, quase pretas. Quase nunca vinham rapidamente ao seu encontro. Eram lentas, mas sempre chegavam até ela.

Era o medo.

Nunca precisou de psicólogo, de tarô ou bruxaria pra entender aquilo. Por mais que por muitas vezes se desesperasse na vontade de entender porque aquilo não a deixava em paz, sempre soube o que de fato aquilo significava.

No começo, eram sonhos aleatórios. Aleatórios, mas recorrentes. Não era um padrão, era o começo de um. Lembrava dos sonhos repetidos que já teve na vida, mas não, nenhum era igual àquele.

Um dia ela se deu conta. Se ia dormir preocupada, com o coração em desassossego e a mente em desalinho, elas apareciam. Entendeu que o que sentia quando via elas ali, ao longe, não era um medo daqueles que a gente sente quando está acordada, não. Era maior.

Anos se passaram desde a primeira onda. Foram furacões, tornados, ressacas das bravas. Tanto nos sonhos, quanto na vida. Não sei se há mesmo alguma relação entre eles, mas aqui dentro algo grita que sim. Algo grita claramente que se as ondas não me fazem mal em sonho, o medo que elas representam também não deveria fazer. Então me diz, por quê faz?

E lá dentro algo responde:

"- É por isso que você ainda sonha, Bárbara."

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