quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O início e o caminho



A gente tem mania de achar que tudo que é bom, é melhor no começo. O senso comum acha que tudo que é novidade é mais empolgante e gostoso. Falta dar valor pro que a gente só amadurece com o tempo.

Dizem que o começo de um namoro é a fase mais gostosa de um relacionamento. Tem o frio na barriga, as ligações de surpresa, as mensagens que fazem o coração disparar, a expectativa do significado de cada palavra dita e não dita. É tudo novo, tudo incerto. Mas a verdade é que tem certas coisas que o tempo traz, e que o tempo tira, que fazem de um relacionamento muito mais do que um amontoados de mensagens na caixa de entrada do seu celular.

Eu gosto da segurança de acordar todos os dias sabendo que vai ter alguém me dando bom dia ao despertar, de saber que no final de semana tem o almoço em família, de ir dormir pensando em problemas que não sejam apenas os meus, de dividir o choro e o riso e poder ser quão boba eu quiser, quão eu mesma eu quiser. Gosto de poder acordar sem medo de não estar bonita, de rachar a conta, dividir o travesseiro e o cobertor. Gosto de saber onde estou pisando.

O problema é que tem gente que esquece que cada dia tem que ser mais ou menos o primeiro. Tem que ter surpresa, tem que ter mimo, tem que ter carinho. Mas gostoso mesmo é quando tudo isso vem acompanhado da certeza e maturidade que a gente só conquista com o passar dos dias, com o conhecimento um sobre o outro que a gente só adquire com a convivência, mesmo que ela nem sempre seja fácil.

Pode parecer papo de velho, mas a paixão avassaladora do começo, vai acabar se não encontrar pelo caminho a estabilidade do amor. E estabilidade não tem nada a ver com rotina ou comodismo, como tanta gente acredita por aí. Mas você vai saber o quanto ela é necessária quando tiver que atravessar os dias mais tortuosos do calendário, aqueles que não há paixonite que aguente.

O começo pode - e deve - ser lindo, mas maravilhoso mesmo é o caminho de desafios que a gente enfrenta todos os dias pra que ele nunca tenha fim. Pode não ter tanto glamour, mas tem plenitude a beça. E amar não tem sentido nenhum se não te fizer sentir pleno.

5 comentários:

  1. Você tá ficando cada vez melhor nesse lance de conselheira. Não é mais surpreendente encontrar um texto seu que seja bom, e sim, notar que eles ainda são completamente naturais e sinceros! =)

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  2. O importante não é o ponto de partida e nem a chegada, o importante é a CAMINHADA, e o seu texto deixou bem claro que não importa quão belo for o começo, se não houver caminhada.
    A verdade é que no começo tudo começa num campo de grama bem fofinha e ai nós decidimos ir descalços, mas no caminho aparecem espinhos e pedras e é ai que a caminhada importa, é ai que alguém esquece das próprias feridas, pra cuidar das suas, é ai que alguém te leva no colo quando você não aguenta mais andar, é ai que o amor realmente mostra suas faces: seja no amor a dois, na amizade ou no amor de família.

    Lindo texto e lindo pensamento.

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  3. Para que não se tenha mal entendidos com meu comentário, o "vai se ferrar", foi a única frase que consegui dizer para expressar o quão gostei do texto.

    Parabéns dona Bárbara. Mais uma vez arrebentou.

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  4. E é esse tipo de amor que eu sempre quis conhecer, sabe? Essa serenidade, esse quentinho no peito. Essa segurança que não se abala mesmo depois de uma discussão feia... sei lá. Talvez um dia eu conheça. Quem sabe.
    Sou fã dos teus textos, sabia? Belíssimo!

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