segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tudo que eu podia ser e não sou



Eu podia ser mais passional como pede a minha professora de teatro – porque riam alto, há alguém que ainda me acusa de ser racional demais -, mas na certa minhas personagens acabariam sendo loucas desvairadas e sentimentais, meio como eu.

Eu podia ser menos egoísta, como minha mãe tantas vezes me acusa de ser, mas ela não se daria tão bem com uma filha que não fosse tão parecida com ela, que não fosse tão sua amiga e seu espelho.

Eu podia usar mais a razão como quase me imploram minhas amigas, mas tenho certeza que jamais seria a conselheira favorita delas se assim fosse.

Vai ver, eu podia acreditar menos no amor como prega minha avó, mas nesse caso, meus dias de bom humor que ela tanto preza com certeza seriam mais escassos.

Mas ninguém é do jeito que eu queria que as pessoas fossem. Ninguém muda seu jeito de ser, ou se torna mais isso e menos aquilo, só pra que a vida se torne mais cômoda pra mim. Eu diariamente tenho que aprender a lidar com os defeitos dos outros. E só por isso, talvez eu faça o mesmo.

Eu podia deixar um monte de defeitos pra trás, e com eles muitas das coisas que são as melhores que existem em mim. Eu podia ser do jeito que cada um sonha que eu seja, a melhor filha, a melhor aluna, a melhor, a melhor, a melhor.

Eu não quero ser a melhor. Eu só quero ser o que o fato de tentar ser a melhor impede que eu seja: a Bárbara.

Quer vocês gostem, ou não.

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