terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quebrando tudo



A única coisa que eu peço é que não me machuque.

Sei que qualquer taça de cristal ainda parece mais forte e resistente que eu, mas te garanto que aqui dentro tem uma força (e eu realmente suplico que tenha), que não vai brincar de se esconder quando o bicho pegar pra valer.  

A verdade é que a taça de cristal aqui não vai quebrar se não for trincada repetidas vezes. Então, me faz um favor? Um só? Don’t do this. Quem é que prefere uma taça trincada a nenhuma?

Eu não ligo de me despedaçar inteira. De ser jogada no chão, de ficar em cacos, de sangrar em rios. Mas vai me incomodar pra sempre aquele trinque que não me deixará jamais ser cheia de algo, seja do que for, entende?  

É como se eu preferisse mil vezes um barulho ensurdecedor a um ruído baixinho, chato, incessante. Não gosto do que me enlouquece aos poucos. Não gosto porque me enlouquece mais.

Na verdade, eu odeio tortura. É como aqueles filmes de suspense que te fazem morrer de angústia durante longas horas enquanto a adrenalina corrói os seus nervos. Eu sou bem mais uma montanha-russa e seus rápidos três minutos de emoção.

Eu não consigo me recuperar do que corrói, consome, desgasta. Eu posso me refazer do zero, mas eu não consigo me livrar do que me arrasta aos poucos pro fundo do mar sabe? E eu odeio o mar, odeio ondas, odeio.

Então não me poupe. Não me poupe porque me poupar é o pior que você pode fazer por mim. Não precisa ter pena, dó, medo. Simplesmente não trinque a taça de cristal: quebre-a.

Um lugar vazio no armário é fácil de preencher. Uma taça trincada só ocupa espaço. E quem é que tem espaço sobrando afinal?  

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