domingo, 4 de março de 2012

Diário de um casal feliz - O último adeus

http://migre.me/8aaoB

Eu queria usar o clichê “eu não queria que terminasse assim”. Mas a verdade, é que se não fosse assim, não teria terminado. E precisava terminar.

A verdade é que a gente passou esses meses todos guerreando sem o menor vestígio de respeito e civilidade. Por que a gente esperaria isso logo no fim? Justo no fim. O fim, consagrado em meio a declarações e demonstrações de ódio. Bem ao nosso estilo.

Se fosse do jeito pacífico, amigável e civilizado, nunca terminaria. Não terminaria porque a gente acreditaria que as coisas poderiam mudar. E a gente acreditou tanto tempo... foram tantos dias aos prantos, implorando pra que a gente conseguisse. Mas não, hoje a gente sabe que não deu.

Não que não tenha havido dias bons. Houve dias maravilhosos. Os mais felizes da minha vida. Dias que a gente passou sorrindo, noites que a gente passou se amando. A última noite foi assim, lembra? Eu adormeci com você me dizendo que eu era a única que você queria e precisava. E acordei nos seus braços, sorrindo, sonhando. Como foi bom...

E a nossa última viagem? A primeira noite que passamos assim que chegamos? Foram juras de amor que ainda me deixam sem ar. A gente prometeu se amar e ficar juntos pra sempre. Trocamos promessas enquanto chorávamos. Chorávamos de amor, transbordávamos de paixão.

Você me ensinou um mundo de coisas, e não houve um dia em que eu não tive certeza de que você precisava mesmo ter entrado na minha vida. Estava escrito. Não está mais. Estávamos prolongando a nossa história muito além do ponto final. E as reticências que escrevíamos só nos deixavam mais incompletos.

A verdade é que a gente se ama mas não consegue ficar junto. A gente não foi feito um pro outro. Você precisa de alguém que acate suas ordens e aceite suas opiniões, e eu poderia ser exatamente assim, se você tivesse me conhecido antes, muito antes de eu ser exatamente o oposto disso. Não que eu seja a pessoa que mais acate a opinião alheia, claro. Pra gente, falta uma flexibilidade imensa, que impede que todo o resto ande nos trilhos.

Eu não gosto do seu passado. Tampouco você do meu. E nos custa aceitar que você tinha uma vida sem mim, e eu, uma sem você. Nos falta mais ainda aceitar que nenhum de nós precisa abrir mão dela pra construirmos apenas uma, a nossa. A gente foi atravessando a linha fina entre o amor e a obsessão.

Na verdade, nos faltou muita coisa durante todo esse tempo. É que a gente se amou demais. A gente se amou de um jeito louco. A gente se sugou até a última gota, respirou um ao outro até o último suspiro. No meio da tempestade, nosso amor era o único bote salva-vidas do navio. E o navio naufragou... cadê o bote? Talvez, se a gente não tivesse se amado tanto, teríamos sido mais calmos, menos desesperados, exauridos de paixão. Mas como te amar menos? Como amar menos a loucura que era ser sua e ter você? A gente pecou por amar demais. Amar demais.

E no meio das palavras duras que tantas vezes a gente disse, restou a dor, ficou o desejo de ver tudo mudar. Ficou a certeza de que nada vai mudar. Mas aqui dentro, nunca, nunca vai haver um fio de ódio, de raiva, de frustração. Fica a dor pelo que não fomos, pelo respeito que não tivemos, pelo sonho que não realizaremos.

Eu deixo você ficar com o nome “Sofia” e com os cd’s que eu te dei. Por um tempo, vou morrer de saudades de nós dois deitados na cama, enlaçados no nosso abraço que encaixava tão bem. Por um tempo também, vou passar sem ouvir quase todas as músicas do meu celular, aquelas tão nossas. Mas deixe que sangre, que doa, que parta.

Um dia a gente vai voltar a florir.

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