segunda-feira, 16 de abril de 2012

Alternando papéis

http://migre.me/8HmGn
“Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator”
(Raul Seixas)

Passei anos da minha vida alternando papéis. Me preocupando em atender as expectativas do público, que ora gostava daquele e ora gostava daquele outro. Demorei mais do que imaginei para achar a personagem que me cairia melhor.

Fui a melhor aluna do colégio, dei dor de cabeça pra minha mãe, saí pra balada de sexta à segunda, fui a única menina da turma, a namorada que mantém a pose e a postura e a melhor amiga ideal.

Mas o cansativo disso não é mudar a roupa, a postura, o traje e a máscara. O cansativo é abrir mão do público. É ter que deixar ir embora quem não gosta de certo papel, e tentar agradar quem é fã de outro.

Faz uns dias que eu percebi que é aí que mora a questão. Eu não passei anos decidindo qual papel veste melhor meu manequim. Eu demorei anos pra decidir qual público merecia meu esforço, qual público me aplaudia mais bonito de pé.

Escolhi. Graças à Deus.

São poucos, mas não são comprados. São loucos, mas são sinceros. São meus, muito meus.

Escolhi os que não me julgaram quando eu fui a namorada ideal e a amiga relapsa. Escolhi os que me protegeram enquanto foram próximos, e que continuaram cuidando de mim quando estive longe. Escolhi os que me admiraram quando eu era a melhor aluna do colégio e que me apoiaram quando deram trabalho pra minha mãe junto comigo. Os que me levaram pra balada no sábado a noite e me acolheram em seus sofás no domingo de ressaca. Escolhi os que me escolheram, independente do papel.

Descobri que o importante mesmo não é desempenhar com primazia a personagem. O essencial é estar com aqueles que me deixam escolher o papel que eu quiser, na hora que eu achar melhor. Eu escolhi os que me deixam ser eu mesma, com todos os meus eus, com todas as minhas faces e perspectivas. Escolhi os que amam todos os seres que existem em mim.

Passei anos tentando escolher o melhor papel, mas o gratificante da caminhada foi formar a melhor plateia. E é reconfortante saber que ao fechar das cortinas, independente do final de cada ato, haverá aplausos sinceros.

Meus, muito meus.

Um comentário:

  1. Eitaaaaaa que texto bom da conta! Oh...eu sou a sua platéia né? Pq..pq...gosto de você mesmo tu me alugando demaisss, chorando demaissss e sendo louca demais!
    Amo você menina, do jeitinho que é.

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