quarta-feira, 18 de abril de 2012

Chamada perdida


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Ontem você me ligou. Era madrugada e eu já estava dormindo. Eu não vou dizer que não ouvi o celular tocar, porque eu ouvi. Eu não vou dizer que eu não queria te atender, porque eu queria. Mas depois de tudo eu já não tenho mais a mesma paciência e disposição pra interromper meu sono por um telefonema. Depois de muitas noites mal dormidas, eu tô vacinada.

Eu chego tarde da faculdade e desmaio na cama querendo aproveitar cada minutinho de sono antes que o despertador toque cedinho pra eu vir trabalhar. Você também chega tarde, é verdade. Mas sabe-se lá da onde, sabe-se lá por quê. E não que isso me irrite ou cause ciúmes, mas essa realidade despreocupada é distante demais do meu dia-a-dia.

A gente não tem a mesma perspectiva de futuro, isso é fato. A única coisa em comum nas nossas expectativas pra daqui alguns anos, é que nós estejamos juntos. Legal. Lindo. Maravilhoso. Mas eu já não tenho paciência pra esse tipo de coisa. Eu já não consigo mais suportar esse tipo de relacionamento que crê que só o amor basta pra que o restante dos dias seja feliz.

Me desculpa?

Eu queria ainda ser aquela menina inocente que você conheceu. Aquela que confiava no nosso sentimento e que só isso era o suficiente. Queria ainda imaginar com você nossos dias felizes passados no sofá da sala, com a casa embalada pelo cheiro delicioso da comida que você faz enquanto ouvimos nossas músicas preferidas. Mas não. Em algum momento do caminho, e eu sei exatamente em qual, isso se perdeu.

Eu não me tornei menos sensível, mas no mínimo, um pouco mais fria. Cansei desses sonhos românticos que os filmes e novelas vendem. Eu não quero fantasia, quero realidade. Quero certeza, pé no chão, pulso firme.

Ontem você me ligou e eu não te atendi. Porque tudo fica mais difícil quando eu ouço sua voz do outro lado da linha me deixando sem graça. É difícil resistir a nós dois. Você dá aquele sorriso pelo qual eu sou apaixonada há anos e vem me chamando de mil coisas bonitas e me fazendo sentir amada de um jeito que eu nunca experimentei com outra pessoa. E isso tudo quase me faz voltar a ser aquela boba romântica de sempre. Quase. Me faz querer.

Mas eu cansei dessas coisas que me tiram o chão, entende? Eu quero alguém que me pouse em solo firme. Eu não quero mais passar noites fazendo planos. Não, nada disso. Quero alguém que me dê a mão e que construa cada um deles junto comigo. Não tenho mais tempo pra perder com paixões avassaladoras que apenas deixam meu travesseiro molhado no final do dia. Eu quero paz. Você vai me dar?

Ontem você me ligou e eu não te atendi. Que pena. Eu já ando com saudades da sua voz...

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