quinta-feira, 12 de abril de 2012

Garoto travesso

http://migre.me/8EkES

 “Todas as cartas de amor são ridículas.
 Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.”
(Fernando Pessoa)

Eu não tenho inteligência emocional pra lidar com gente instável. Mesmo. É triste, mas é verdade.

A minha dicotomia diária e minha inconstância constante já me são suficientes. Não tenho tempo pra ajudar os outros a não enlouquecerem. Antes sou eu que eu preciso não enlouquecer, entendem?

Eu tento por horas me manter em linha reta, em um caminho seguro, sem surpresas e nem grandes emoções. Tento manter a frieza, a racionalidade, e exercitar a inteligência emocional que não me pertence. São horas, dias, semaaanas de esforço.

E aí vem você. E mais uma vez chega alguém pra me fazer dar loopings no balanço, me empurrar em alta velocidade ladeira abaixo, apertar fundo o acelerador do carro e sequer lembrar de colocar o cinto de segurança. Game over pro meu autocontrole. Fim de linha pra mim.

Eu queria conseguir decorar eternamente a primeira frase desse texto. Queria criar vergonha na cara e entender que não dá. “É Bárbara, acorda, não dá! Você não nasceu pra gente bipolar, gente inconstante, gente que muda de opinião como troca de roupa. Você não tem emocional pra montanha-russa minha filha, por mais que você adore uma.”

Esse lance do meu querer correr sempre em sentido contrário do meu precisar é meio irritante. São meses de terapia, quatrocentos textos de autoajuda e uns seiscentos conselhos de quem me quer bem. E o final? O final é o pôr-do-sol ao fundo e eu caminhando surrada, tentando entender o porquê dessa fixação por uma adrenalina que não me faz bem.

E você ainda olha pra mim com cara de preocupado, quase como que pedindo desculpas pelo que eu vou passar. Como se eu já não soubesse! Como se eu já não tivesse visto esse filme. E enquanto eu me pergunto o que pode ser pior que os últimos meses, eu tento abaixar o volume da voz da consciência que grita: “- Ei, que tal os próximos?”.

Aí me pego rindo. Rindo do meu desespero patético. Do meu drama exagerado. Da minha inconstância quase infantil. Amor me faz parecer criança, e essa é a única parte nele que eu odeio. Odeio essa força que me faz parecer indefesa e ridícula. Odeio.

E só dessa vez eu vou ser forte. Só dessa vez eu vou desligar o celular e esquecer de te chamar pra sair. Só dessa vez eu não vou te atender e nem te ligar. Só dessa vez. Só pra ver se eu consigo. Só pra mostrar que eu sou capaz.

Só pra tirar uma com a cara desse menino levado. Esse garoto travesso. O amor.

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