segunda-feira, 9 de abril de 2012

Queda livre

http://migre.me/8By1z

Eu quase entendo esse tipo de gente que gosta de permanecer na sua zona de conforto. Quase.

Eu quase concordo que o fato de não se arriscar nos salva de grandes decepções. Quase aceito que a escolha por não se jogar de cabeça sempre nos protege dos mais altos tombos. Mas é sempre quase.

Tem alguma coisa aqui dentro que não me deixa simpatizar com o que é morno, maçante, sem sal. Eu não consigo ser a garota equilibrada, civilizada e boazinha que o mundo implora que eu seja. Não dá.

A real é que não me importa o quanto isso vai me fazer sofrer. Eu sei que no final eu vou acabar em algum canto, deitada em cima do meu travesseiro e pensando mais uma vez que eu não deveria ser assim. Imaginando quão mais fácil seria se eu simplesmente não atravessasse a barreira da ilusão. Mas eu não sou assim. Provavelmente nunca vou ser.

Eu queria ver graça em admirar a paisagem do ponto mais alto da cidade, em enxergar tudo pequenininho e me dar por satisfeita. Mas eu sempre quero mais. Eu gosto de me jogar em queda livre e enxergar toda a grandeza que cada pontinho contém. Eu não fico atrás da linha amarela.

A verdade é que eu continuo a mesma idiota intensa e exagerada. E eu vou me ferrar no final, como sempre. Mas no meu ditado popular, talvez os meios justifiquem os fins.

Eu sei que o final vai se resumir em mais algumas dezenas de lágrimas molhando o lençol. E quer saber? Que seja. Eu vivo no limite entre o pior e o melhor. Oito ou oitenta, como sempre. Talvez eu precise mesmo pagar o preço.

Vai ver o restante do mundo realmente sofra menos, tenha menos cicatrizes e sofrimentos pra contar. Talvez eles sejam menos tristes, sim. Mas nunca mais felizes. No final, é uma questão de escolha. Não tem certo ou errado. Talvez doa mais quando chegar ao fim. Mas talvez te faça mais feliz enquanto durar.

Não gosto do meia-boca, do sem graça, do constante. Ou tira o ar, ou não tira. Ou me leva embora de vez, ou nem me tira daqui. Vai doer, sangrar e machucar quando eu cair. Mas eu prometo que vou levantar todas as vezes.

Enquanto isso eu espero. Ainda vai chegar o dia em que alguém me segure lá em cima, no alto, e me faça pousar tranquila, sem tombos. Em seus braços. 

2 comentários:

  1. "A verdade é que eu continuo a mesma idiota intensa e exagerada. E eu vou me ferrar no final, como sempre. Mas no meu ditado popular, talvez os meios justifiquem os fins."
    Só uma dúvida, Bá: Por que escreveu um texto sobre mim? hahaha
    A-mei!

    ResponderExcluir
  2. Que bom que tem alguém que entenda minhas loucuras e exageros! Caso a gente se ferre no final, pode contar comigo Má ;D

    ResponderExcluir

Diz o que achou :)