quarta-feira, 2 de maio de 2012

Não você

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Ontem meus dois edredons não foram suficientes para o frio que fazia. A chuva caía fina na janela e eu deitada na cama digitava uma mensagem rápida no celular. Uma mensagem que eu não enviei. Mais uma daquelas que eu nunca envio.

E veja só, você bem que merecia uma resposta aos torpedos que me mandou durante o dia e às chamadas perdidas que ficaram gravadas no meu celular, mas seria egoísta demais da minha parte responder qualquer uma delas.

Eu te liguei durante a tarde. Fazia frio e a idéia de que você ia embora não me saía da cabeça. Eu te liguei e me arrependi no exato momento em que você atendeu o telefone. A mudança na sua voz ao reconhecer meu ‘alô’ no outro lado da linha foi um soco no estômago pra mim. Eu não consigo lidar com a sua necessidade de mim.

Eu passei anos da minha vida querendo te ver salvo, mas hoje eu te peço desculpas, porque não, eu não vou ser seu bote salva-vidas. Eu não suporto mais a idéia de ser a salvação de ninguém, entende? Você vai ter que me perdoar por isso.

Ontem eu não respondi suas mensagens porque eu não quero mais que você as mande pra mim. Eu não te liguei à noite, como eu prometi, porque eu não queria que você me ligasse hoje. Eu queria que você fosse embora e não me procurasse mais, por mais que isso doa em cada pedacinho meu.

É que eu ainda prefiro que doa em mim. E a verdade é que tudo ainda se resume nisso. Nessa minha necessidade de não querer fazer os outros sofrerem. Que doa, que doa e doa. Desde que seja somente e apenas em mim.

Eu sei que você não ia ligar se eu fosse egoísta. Sei que você adoraria ouvir minha voz no outro lado da linha dizendo que estava com saudades. E eu estava. A real é que naquele frio eu preferia mil vezes estar dormindo de conchinha com você do que com todos aqueles edredons que eu usava pra me esquentar em vão.

Mas não.

Porque eu não vou te esperar quando você for embora, entende? Eu não vou estar aqui quando você precisar. Então por favor, vá embora agora enquanto eu preciso. Pode ir. Eu te perdoo. Eu te perdoo e quem sabe assim eu me perdoe também.

Eu não vou te chamar pra fazer companhia a mim e aos meus cobertores, porque uma hora eu vou me encher e expulsar você de lá. Porque eu não quero você. Mas eu queria alguém igual a você. Assim como você ainda não se tocou que não me quer, mas quer alguém igualzinha a mim.

E talvez eu ande querendo alguém específico me esquentando no frio. Talvez eu ande pensando em outra pessoa pra me aquecer e me fazer abrir mão de pelo menos um dos meus edredons. E eu não quero te usar desse jeito sujo e frio, embora você não ligue.

Acho que dessa vez você vai embora. De verdade. E eu vou do trabalho pra casa, ignorando toda a minha vontade de te ver e me despedir com um beijo. Porque se eu fizer isso você vai achar que eu vou estar aqui quando eu voltar. E talvez eu não esteja. Ou pior. Talvez eu esteja, mas não pra você.

E eu vou ignorar o aperto de saudade que acordou comigo hoje. Porque eu vou sentir uma falta absurda de tudo que você me dá, e de tudo que você quer me dar e eu não deixo. Vou sentir saudade do nosso jeito de sempre, aquele que sempre deu certo até a você estragar tudo com essa coisa ridícula que chamam de amor.

Hoje eu vou deitar na minha cama, abrir um livro e seguir esperando o dia que apareça pra mim alguém assim, igual a você.

Igual a você. Mas não você. Não você. N-ã-o-v-o-c-ê.

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