quinta-feira, 24 de maio de 2012

Saber amar

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" - Ela partiu seu coração?
- Um pouco.
- Ótimo. Ele precisava ser partido."
(Sete Dias com Marilyn)

Descobri que o amor, pra ser bonito daquele jeito que as histórias contam, precisa essencialmente de uma coisa: inocência.

Acho que é por isso que o primeiro amor é o mais bonito. A gente acredita nele. Quando a gente ama pela primeira vez, a gente realmente bota fé de que aquilo é a coisa mais importante do mundo, que é pra sempre, que é vital.

Na primeira vez que a gente se apaixona, a gente respira amor a todo segundo, e principalmente, realmente acredita que se o amor acabar, a gente também se acaba. É quase como se aquilo fosse sua vida, toda, toda ela.

Mas aí acaba. Pelo menos na maioria das vezes. Contos de fadas à parte, quase nunca o  primeiro amor da gente é o grande amor das nossas vidas. E aí a utopia tem fim.

Não que seja simples assim, claro. Dor de amor é um barato de outro mundo; dói, rasga, arde, queima, parece mesmo que a gente não vai aguentar. E é exatamente aí que acaba o encanto: quando a gente descobre que aguenta.

Os dias passam, a dor diminui e as lembranças se ausentam. A ferida fecha, a vida segue, e olha só a surpresa que é quando a gente descobre que sobreviveu à tempestade! Pronto, passou. A dor foi embora, e o amor também.

O amor também.

Puta que pariu, o AMOR também. O amor, aquele que era a razão da sua vida, o motivo da sua existência, o ar que você respira. Puf. Foi embora. Aliás, vai saber se era amor. O importante é que você não precisava mesmo dele pra sobreviver.

E a partir daí sua vida será outra. Amar é completamente diferente quando você descobre que não é essencial pra sua sobrevivência. O coração aquieta, a ansiedade diminui, as prioridades são outras. O amor não é mais o alicerce da sua vida, mas um pilar, acompanhado de diversos outros que sustentam seu dia-a-dia. Quando você descobre que amar não é vital, amar se torna saudável - e sem se tornar pior por isso.

Chega de loucuras e atitudes insanas, chega de dramas absurdos e daquele sadomasoquismo romântico ridículo. Amar se torna tão importante quanto comer, ficar com sua família, ou assistir o jogo do seu time na televisão. Vira consequência da vida, e deixa de ser motivo pra viver, sabe?

É por isso que eu concordo quando dizem que todo mundo precisa ter o coração partido. Porque precisa mesmo. Por mais que doa. Porque vai passar.

E quando passar, você vai descobrir que o essencial não é amar. É SABER amar. E isso sim, pouquíssima gente sabe.

2 comentários:

  1. Nossa...mandou muito bem.
    Esse texto diz tudo e mais um pouco.

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  2. !!! - só o que eu tenho a dizer, hahaha

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