segunda-feira, 7 de maio de 2012

Só em mim

http://migre.me/8Zd8S
“Até os infortúnios tem o seu valor
Na oportunidade de aprender com a dor”
(Forfun)

E às vezes dói. Dói porque adiar a dor não a diminui, não a faz passar. Dor de verdade só vai embora quando dói pra valer, até a última gota, até a última lágrima, até a última noite mal dormida ou até o último pesadelo que acorda a gente assustada de madrugada.

É. Tem que doer.

Tem que doer antes que eu passe por cima de tudo fingindo que ela não me acompanha. Tem que doer antes que eu fique cega pra todo o resto, tentando não enxergá-la. Não tem mais jeito.

Cansei da pressão e do sufoco que é fugir da dor. Porque eu não posso ser fraca. Eu não posso ficar triste. Eu sequer posso chorar. Eu tenho que bancar a forte e bem-resolvida. A que dá risada a todo o momento e ignora todo e qualquer sinal de tristeza.

Eu passei dias achando que era besteira sofrer, e agora eu só faço besteira pra mandar o sofrimento embora. Eu quis mandar o mundo e todas as convenções morais pro inferno, só pra não sentir o calor que queima aqui dentro quando eu me distraio.

Fiz de tudo pra que nada disso me fizesse mal, e a vida deu um jeito de me mostrar que de um jeito ou de outro, isso faz. Vai ver tem que fazer. Vai ver eu tenho que aprender que eu suporto, que eu aguento, que eu sou forte.

Então é melhor que doa, mas não desse meu jeito egoísta e carente que implora pra que alguém sofra comigo. Cansei de correr pra longe do que é inevitável. Se é pra doer, que doa por inteiro.

E eu que odeio mostrar pro mundo minha fraqueza, hoje só quero ser fraca, assim, vulnerável. E que ninguém me proteja, porque eu descobri que não consigo proteger ninguém, nem de mim mesma.

s vezes dói. E eu vou deixar doer. Só dessa vez. Por mim. Pra mim. Só em mim. 


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