segunda-feira, 11 de junho de 2012

Do alto da minha sacada

casal apaixonado
http://migre.me/9rTVq

"O amor da gente é pra se guardar
Com cuidado pra ele não quebrar"
(Cazuza)

Os casais de mãos dadas na fila do cinema, as reservas lotadas nos restaurantes mais românticos da cidade, entregadores de flores dificultando o trânsito nas ruas e uma parcela enorme de gente caminhando por aí com presentes nas mãos.

Mulheres comprando lingeries, homens comprando perfumes, lojas de chocolate abarrotadas e bichinhos de pelúcia esgotados por toda a cidade. Beijos apaixonados no ponto de ônibus, no shopping, no estacionamento. Caixinhas de alianças guardadas em centenas de bolsos.

É Dia dos Namorados, e por mais que a gente saiba que tem gente que não honra o relacionamento sério fora do Facebook, eu ainda gosto de olhar pra tudo isso e acreditar no que as pessoas chamam de amor. E também no que às vezes nem é amor. Ou no que os outros nem imaginam que seja.   

No andar abraçado no meio da rua, no sorriso tímido na hora de entregar o presente, na ansiedade infantil de agradar quem se ama. Nos olhares travessos que insistem em se cruzar, envergonhados. No sorriso sincero quando se acorda junto no dia seguinte e no "eu te amo" dito com a alma na hora em que se vai dormir.

Ainda gosto de acreditar no buquê ou no botão de rosas vermelhas, coloridas ou brancas. No segundo eterno que antecede o beijo e no afago de cabelo que vem depois dele. Nas risadas que a gente dá quando acha alguma coisa em comum, e no medinho que a gente sente quando percebe coisas diferentes.

Eu gosto de olhar tudo isso da janela da sacada, enquanto penso que depois de anos eu não estou preocupada com o presente criativo, o jantar romântico, a reserva do motel. É bonito ver tudo daqui, da onde mantenho uma distância segura e friamente calculada, mesmo que frieza não tenha nada a ver com a data.

É bonito porque eu não deixei de sorrir quando cruzo com um casal apaixonado na rua. E porque ainda penso no que foi que ele disse pra ela quando ela ficou vermelha e encabulada descendo as escadas. E que tudo isso ainda é capaz de me trazer lembranças boas que eu nem pensava que ainda pudessem existir dentro de mim.

E de verdade, ainda creio que há pessoas fiéis, que existem amores pra vida toda, e que alguém nesse mundo inteiro deve realmente estar esperando por mim – e talvez mais perto do que eu imagino.

E tudo que eu vejo daqui do alto me faz perceber que eu ainda acredito no meu mundinho-romântico-e-cor-de-rosa, mesmo depois de todas as decepções. Porque amar também é isso. Amar também é se decepcionar e acreditar de novo em algo ou em alguém. Assim, mais uma vez, e outra, e quantas mais forem necessárias.

Afinal, quer prova de amor maior do que re-acreditar?

3 comentários:

  1. Ainda gosto de acreditar no buquê ou no botão de rosas vermelhas, coloridas ou brancas. No segundo eterno que antecede o beijo e no afago de cabelo que vem depois dele." Lembranças que duram quando o amor é eterno.
    Lindo Bárbara!

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  2. E tenho certeza que você sempre vai acreditar em tudo isso.
    A garota que escreve todas as suas aventuras amorosas, não vai deixar se abater por uma decepções, por mais que essa tenha sido doída.
    Parabéns pelo texto e os votos de esperança.

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