domingo, 17 de junho de 2012

Sobre amor, perdão e gente ruim


"Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem”
(Mateus 5:44)

 Deus,

Desculpa.

Desculpa por um dia ter reclamado dos meus defeitos, da minha insegurança tão constante, dos meus medos ridículos, dos meus atos impulsivos e sempre tão passionais.

Desculpa por esbravejar pelas decisões erradas que tomo, pelas coisas que não dão certo aqui embaixo e por tudo que eu gostaria que fosse diferente.

Mil perdões pelos dias em que caçoei do meu jeito bobo, inocente e crédula demais. Por um dia ter reclamado de todas as vezes que me doei demais, que fui boa demais, que fui cega demais. Desculpa por ter praguejado aos céus todo o sofrimento que passei por ter feito uso exagerado de todo o amor que Você depositou em mim.

É que de vez em quando eu me deparo com coisas tão inacreditavelmente baixas...

É tanta sujeira varrida pra baixo do tapete, tanta maldade escorrendo de boca em boca, tanto cinismo brilhando nos olhos de alguns...

Às vezes eu sento aqui no sofá de casa e fico me perguntando se pode mesmo existir gente tão má. Se é possível que tamanha frieza exista. Se realmente é provável a existência de gente tão sem coração...

E dá medo. Medo dessa energia tão ruim que chega na gente em milésimos de segundo, fazendo um estrago que dura dias, meses, anos. De quantos lobos em peles de cordeiro ainda podem se esconder assim, tão perto; do quanto alguém pode fazer mal à gente sem que a gente sequer chegue a perceber.

Então, Deus, desculpa. Me perdoa mesmo por todas as vezes que reclamei incessantemente da injustiça que era amar tanto e sofrer igual.

Porque eu prefiro continuar sofrendo o tempo que for por amar demais, me doar demais, e crer demais; a fazer qualquer ser sofrer, um segundo que seja, pela minha falta de amor e caráter.

E a esses, que fazem tamanha maldade tão bem, eu dedico apenas o meu perdão e o meu total esquecimento.

Nada poderá fazer tão bem a eles, e tão bem a mim. 

3 comentários:

  1. Deus, uma última coisa: não deixe de nos proteger. Jamais!

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  2. NOSSA, perfeito esse texto, Bá! Um dos melhores que você já escreveu, na minha opinião.

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  3. Eu ainda não sei o que eu prefiro (se chorar o meu amor ou chorar da falta dele), mas só sei que choraria de qualquer forma, ao contrário dessas pessoas que fazem mais questão de espalhar seu sadismo por aí do que se reservar à sua mediocridade... Acho que ainda tenho salvação, afinal.

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