quarta-feira, 25 de julho de 2012

Entrepalavras


menina escrevendo
http://migre.me/a2tIB

“Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler”
(Marisa Monte – Infinito Particular)

 A primeira vez que minha mãe me mandou fazer terapia, eu lembro que olhei pra ela e disse:
 “- Mãe, quem precisa disso? Minha terapia é escrever.”

E não que eu não reconheça o enorme valor da minha psicóloga na minha vida, mas preciso dizer que pra mim, a melhor terapia continua sendo a mesma: escrever, escrever e escrever.

E isso não se resume em colocar o que eu sinto em palavras. RISOS; Quem dera eu soubesse de verdade o que eu sinto quando escrevo. Escrevo mesmo é pra descobrir o que eu sinto, pra ver se entendo esse emaranhado de sensações que tão frequentemente tiram o chão da gente.

Missão cumprida não é terminar o texto mais bonito do jeito mais surpreendente. O gran finale é quando depois do ponto final, vem o alívio de ter pelo menos colocado em ordem essa confusão toda que é sentir.

De bate e pronto, escrever já é sentir, sabe? Nunca consegui produzir um bom texto na mornidão de uma terça-feira comum e insossa. Os meus textos preferidos sempre foram os que me rasgaram, me queimaram, me corroeram.

Eu escrevo quando dói, que é pra dividir a dor com o mundo e ver se ela diminui. Eu escrevo quando amo, porque quase sempre o amor se multiplica a cada palavra. E escrevo quando choro, que é pras lágrimas secarem no último ponto final.

Escrever é para os fortes. Dividir o que se escreve... Para os loucos.

Sempre digo que, pra mim, não há nada mais amedrontador do que ser apresentada a alguém que de cara me diz: “- Nossa, eu já li seu blog!”. Ótimo! Aposto que em cinco textos a pessoa sabe tudo sobre meu jeito insegura-louca-ciumenta, sobre meu passado romântico fracassado e sobre o quanto eu acredito nessa coisa meio ridícula que chamam de amor.

Cinco textos meus valem mais do que uma semana inteira de imersão comigo isolados no frio da Sibéria. E provavelmente são bem mais interessantes também, porque eu quase nunca consigo falar sobre o que eu escrevo.

Porque há um milhão de coisas em mim que podem enganar alguém. Mas não quando eu escrevo. É impossível mentir sobre o que quer que seja enquanto tagarelo meus dedos no teclado. Provavelmente minha terapeuta jamais ouviu tantas verdades quanto o meu computador.

E escrever talvez seja, de fato, meu ato mais racional. Chega a soar prepotente se atrever a tentar colocar em palavras essas coisas que a gente não consegue explicar. Quase como dar uma de Deus – e aqui deixo claro meu amor e gratidão por todos os grandes deuses da literatura, que fizeram essa paixão despertar em mim.

O que eu sei é que tem quem guarde na lembrança fotos, vídeos, cartas... Eu guardo palavras, linhas e parágrafos, dos mais diferentes tamanhos e conteúdos.

E aí eu te conto o último grande prazer de escrever: eternizar

 Feliz Dia do Escritor!

2 comentários:

  1. Bah, já te disse que a sua coragem é infinita ne?
    Mas me sinto exatamente como voce. Escrevo na euforia de sentimentos, e esses com certeza são os melhores textos.
    Parabens por mais esse e parabens pelo seu dia =D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. NOSSO dia, Fê! Sem dúvidas NOSSO.
      Parabéns pra nós e pra toda nossa coragem! =)

      Excluir

Diz o que achou :)