quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quebrando regras

http://migre.me/9RJkT 

Eu podia fazer uma nova tatuagem, cortar mais o cabelo, recortar minhas roupas, esquecer os bons modos. Podia ouvir mais rock’n’roll, mergulhar nos livros do Nietzsche e descobrir que todas as minhas ideologias estão erradas. Pixar um muro, degradar um patrimônio histórico, entrar em confronto com a ciência e com a religião.

Nada disso seria tão confrontador, nada tiraria mais as coisas de ordem e nada perturbaria mais a paz do mundo.

Eu podia ir contra todas as convenções sociais, humanas e teológicas do mundo. Eu podia sair de casa, largar o emprego, vender o carro. Podia comprar minha passagem pra Bogotá, pra Síria, quiçá pra Israel. Podia jogar o celular no lixo, queimar meu computador, cortar qualquer contato com o que há lá fora.

Ainda assim, nada seria tão perturbador.

Eu podia responder todas as provocações do mundo, descer do salto, perder a pose. Podia gritar por aí os segredos dos outros, e quem sabe até os meus. Podia abandonar a faculdade, sair daqui, fugir daqui.

E nada que eu fizesse seria tão transgressor.

Tão transgressor quanto chegar em casa, deitar na cama e não iniciar uma luta interna contra o que eu sinto. Tão transgressor quanto simplesmente aceitar que talvez aquilo esteja mesmo acontecendo, e que talvez eu não possa fazer nada a respeito. Tão transgressor quanto não me sentir culpada por dizer aquelas coisas e por gostar de ouvir aquelas outras. Tão transgressor quanto desistir.

Eu desisti e perturbei a paz de tudo que está ao meu redor. Porque por mais que eu transgredisse todas as regras do universo, nada pode ser mais perturbador do que transgredir a única regra que eu mesma criei pra mim.

A gente acha que revolucionário é o que a gente faz pro mundo, mas eu caí na tentação de olhar pra dentro de mim mesma e descobri que não.

Então eu não vou fazer nada ilegal, ilícito ou depravado. Ainda sou muito menininha-medrosa pra tudo isso, muito sem coragem e personalidade para essas coisas de gente forte e auto-suficiente.

A revolução começou aqui dentro. Só porque eu disse sim pro amor e pra mim.

E existe algo mais revolucionário que amar e acreditar de novo, afinal? 

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