quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Quando o passado é passado

Menina vendo fotos

“Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim”
(Os Paralamas do Sucesso)

Sempre fui amante da nostalgia. Não à toa, tenho umas duas caixas enormes enfiadas num baú antigo, repletas de cartas, fotos, presentes e bilhetes. E não minto que vira e mexe me pego dando uma bisbilhotada em certas lembranças.

Acho gostoso rever os álbuns de fotos antigas, ou as que eu guardo cuidadosamente em pastas no computador. Dou boas risadas lendo aquelas cartas trocadas há tanto tempo, e vendo como éramos bobos e felizes naquela época...

E é aí que mora o perigo.

É sempre bom poder olhar pra trás e encontrar sorrisos, amores e boas lembranças. E claro, não é pecado nenhum sentir aquela saudade boa daquele tempo bom. Mas passado... É passado. E acredite, deve ter algum motivo pra ele simplesmente ter ficado pra trás.

O que foi bom, passou, o que foi ruim, também. E, sério, se você anda olhando pra trás com mais saudades do que deveria, deve ter algo errado por aí, nos dias de hoje, onde você deveria estar feliz. Passado é bom quando a gente olha e pensa “que gostoso lembrar de tudo que me trouxe até aqui”. Porque AQUI é o seu lugar.

Saudade é bom na dose certa. Naquela que deixa quentinho o coração, mas que não aquece ele demais. A velha expressão de “como eu queria voltar no tempo” é mais perigosa do que a gente imagina. O melhor de você e da sua vida não tem que estar lá atrás.

Tudo que você não trouxe para os dias de hoje permanecem em você. Isso é tão claro, tão nítido. Aquele amigo de infância, aquela cicatriz, aquele cheiro, aquela dor... É impossível não perceber que você carrega um pouco disso todo dia. Mas bagagem demais ocupa espaço, e cedo ou tarde, você vai ter que deixar o que é demais pelo caminho.

É o tal do desapego, do desprendimento e de tudo aquilo que a gente teima que é difícil de aprender. Porque no fundo, a gente tem mesmo é medo de tentar e de largar por aí os pedaços da nossa história, sem perceber que isso – muitas vezes – só impede de que ela continue sem vícios, sem dramas, sem traumas.

Eu gosto de olhar para as minhas lembranças. Tirando aquelas que eu excluí – bem excluídas – por vontade própria, há uma infinidade delas pelas quais eu tenho grande apreço. E bom de verdade, é perceber o quão generosa elas foram, cedendo lugar para sensações muito mais frescas e maduras, como as que fazem parte de mim hoje.

Eu agradeço meu passado por tudo que sou. Mas sem dar uma de filha ingrata, eu digo adeus à grande parte dele. Me desculpe, mas é que eu tenho ainda muita coisa pra buscar...

3 comentários:

  1. Pois é, a arte do desprendimento precisa ser aprendida e é dessas coisas que a gente não aprende na escola e nem em cursos aleatórios de fim de semana, leva muito mais tempo e coragem.
    Mas enfim, você sempre arrasando nos textos, Bá..Parecem coisas óbvias de se dizer, mas a gente precisa desses lembretes e de preferência assim, gostosos de ler e bem escritos.

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    1. Mari, seus comentários são sempre lindos!
      Obrigada mesmo!
      E espero que com o tempo e com a vida, a gente aprenda a se desprender de tudo que não é mais necessário!

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  2. Porra Bárbara, haha ;_;
    Quase didático pra quem não consegue "aceitar" um presente tão diferente do passado; ou "imaginar" um futuro sem aquilo tudo que já foi, e foi tão bom.
    Obrigada, então. Texto lindo.

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