terça-feira, 11 de setembro de 2012

Desassossego

casal se beijando
http://migre.me/aFfIu


“Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar”
(Último Romance – Los Hermanos)

Amar é estar constantemente angustiada.

Pois é. Pasmem, mas só ama de verdade quem sente o tempo todo aquela pontinha de angústia dentro do peito.

É que amar significa estar sempre atento à outra pessoa. Significa se preocupar com outro alguém a todo instante: é saber se ele está bem, se já almoçou, se resolveu aquele problema, se não chegou atrasado no trabalho, se levou casaco no dia frio, e enfim... Doar seu tempo, coração e zêlo.

Pode parecer bobagem, mas quem ama bem sabe dessas particularidades do amor. Esqueçam tudo aquilo que te disseram sobre ter paz. Amor não é paz, não. Amor é preocupação, cuidado, e um monte de outras coisas que muitas vezes tiram o nosso sono.

Acho que amor tem mais a ver com o conforto. Afinal, se ele for recíproco, você saberá que tem sempre alguém zelando igualmente por você. E aí, amar vira uma troca. Você vira o despertador dele, mas ele te lembra de levar o casaco. Você se preocupa com os problemas no trabalho dele, e ele diz que vai ficar tudo bem quando você briga com a sua mãe. Essa é outra peculiaridade que só quem ama conhece.

O difícil é aprender a lidar com a angústia. É aceitar que, quando se ama, muitas vezes você não é mais de você. Talvez você tenha que usar seu tempo livre pra passear com o cachorro dele, e talvez ele tenha que passar mais tempo acordado ouvindo as suas lamentações. Seu tempo não é mais só seu e suas preocupações não se resumem apenas aos seus problemas. Surpreendentemente, seu mundo não mais gira somente à sua volta.

Às vezes bate um desespero egoísta. Quase uma saudade do tempo em que você não precisava se preocupar com nada, ou no mínimo, só com você mesmo. Às vezes dá vontade daquela paz que a gente desfrutava em noites tranquilas e... Solitárias.

Mas, desculpa, nada que me pareça “solitário” é bom. Nem mesmo paz.

A verdade é que o amor te tira a paz, o sossego e algumas noites de sono, sim. Mas não há dia ensolarado sem ele. E no final, vale a pena.

Um viva, então, ao único sentimento no mundo capaz de nos fazer implorar pelo mais inusitado: o desassossego.

3 comentários:

  1. Oi Bá! Como vai você? Tá escrevendo bem hein. Eu queria dizer que eu num concordo. Amor é paz sim, eu amo minha mãe e eu num tô sempre preocupado com ela, eu amo minha namorada e eu num tô sempre preocupado com ela, meu pai, meu irmão... É amor de verdade, eu sinto um sentimento gigante por eles a cada vez que me vem na cabeça, mas eu estou em paz e espero que eles estejam bem. É difícil amar, mas o amor não é difícil, ele flui naturalmente.

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    1. Cari! Quanto tempo, né? Eu tô bem, e você? Primeiro, obrigada pelo elogio. Sobre o texto, é complicado. Acho que são tipos de paz diferente. Essa, que você diz, tem a ver com o conforto de saber que eles estão lá e que estarão lá pra você também. Esse desassossego que eu falo, é o de se doar pra outra pessoa que não seja você, e sair da sua zona de conforto onde só você importa, sabe? Amar é difícil mesmo, mas flui naturalmente e vale muito a pena!

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