quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"É que um carinho às vezes cai bem..."

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Não foram uma, duas e nem quinze as vezes em que eu ouvi críticas sobre a minha carência, o meu romantismo e meu apego às pessoas. De alguns eu discordei, outros em ouvi e com outros até concordei.

É que é relativo.

Acho que tem gente que confunde tudo isso com fraqueza, e aí mora um erro enorme. Mulher carente não é “aquela que tá sempre precisando de um homem”, não. Carência não é falta de critério, vulgaridade e muito menos dependência.

Eu sempre fui carente. Desde pequena. Sou filha única e cansei de brincar de boneca sozinha. Montava aqueles trezentos e sessenta e cinco brinquedos e quando me dava conta já estava cansada demais pra brincar. Também não tenho família grande e os Natais lá em casa nunca foram os de mesa cheia como nas propagandas de peru.

Nada disso me tornou uma mulher fraca, submissa, insossa ou sem opinião. Os Natais até hoje são meio vazios e eu nem brinco mais de boneca, mas nada disso me fez alguém infeliz. Talvez apenas faça com que eu me apegue mais ou dê mais valor aos que estão à minha volta.

Acho que entre mim e o resto do mundo existe um buraco meio grande: enquanto eu supervalorizo a companhia, o abraço, o amor e amizade, tem gente que simplesmente acha tudo normal demais. Afinal, é da natureza humana se relacionar com outras pessoas e isso não precisa ser superestimado de maneira nenhuma.

Mas pra mim é meio diferente. Eu sou aquele tipo de gente que se importa demais com as pessoas, sabe? E não porque eu sou boazinha e super solidária, não. Mas é porque eu confesso que tenho uma necessidade imensa delas.

Não gosto de ficar sozinha em casa, de dormir sozinha no quarto ou de ir sozinha ao shopping. E vai, podem começar a pensar “nossa, mas essa menina deve ser muito chata porque nem ela se suporta por muito tempo”. E podem me julgar e dizer que eu não me dou valor e todo esse mimimi que eu ouço há uns dez anos.

Simplesmente não é nada disso.

Eu não sofro nenhum tipo de doença psíquica e mental que me impede de ficar somente na minha própria companhia. Eu consigo fazer isso, ok? Eu apenas não gosto. Eu gosto de vozes, risadas, toques. Gosto de compartilhar sorrisos, olhares, palavras.

Eu sei que aquele lance de olhar pra dentro de si mesmo é super importante, e que o autoconhecimento é essencial e tal. Mas por que eu não posso fazer isso e continuar preferindo uma noite à dois embaixo do edredom, a uma sozinha tomando sorvete?

Eu gosto do calor dos outros. Isso não é uma necessidade, mas uma preferência. Existem milhares de mulheres como eu, e elas não saem ficando com qualquer pessoa por aí ou se tornando amigas da primeira desconhecida que aparece, como se dependessem disso pra sobreviver, ok?

Acho até que a gente é mais exigente. Porque, vejam só, não é qualquer um que supre tanta carência e exigência de atenção. A gente é difícil e a gente sabe. Mas atire a primeira pedra quem não gosta de carinho e de se sentir especial!

Óbvio que eu tenho meus momentos reclusos também. É necessário. Às vezes a gente precisa colocar os pensamentos em ordem, se recuperar de algo, botar tudo no lugar. A diferença é que depois disso eu vou pegar o celular e fazer uma ligação ou mandar uma mensagem.

E não vai ser pra qualquer um. Vai ser para aquele que preenche cada necessidade minha – normal ou exagerada.

Quando a gente descobre o amor é desperdício demais deixar ele ir embora só pra curtir nossa solidão. 

* (o título do post é trecho da música "Sozinho" de Caetano Veloso)

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