terça-feira, 23 de outubro de 2012

É preciso ter do que se lembrar

tempo relógio
http://twixar.com/0o7
“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou”
(Legião Urbana – Tempo Perdido)

Eu tenho quase certeza que ainda ontem era janeiro, mas o calendário em cima da mesa insiste em me dizer que novembro está prestes achegar.

Enquanto reflito sobre como o ano passou voando, dou uma olhadinha no relógio do computador e lamento a demora pra chegar logo a hora de ir embora. Paradoxal, não?

Talvez o problema seja esse. A gente passa a vida inteira esperando alguma coisa. Se é de manhã, queremos que a noite chegue logo. No Carnaval, estamos com saudades da festa de Reveillón. No inverno suplicamos pelo calor do verão. E por aí vai.

Escrevi sobre isso uma vez, mas confesso que ainda não consegui me educar em relação ao tempo. Continuo perdendo grande parte das minhas horas desejando que elas passem logo, e depois me dou conta de que ando perdendo tempo demais.

Acho que o tempo passa rápido assim quando a gente não tem muito do que se lembrar. Quando os dias passam em branco, eles parecem não ter muita importância pra gente – e de fato não tem.

Talvez esse seja o momento de aproveitar mais os segundos com os quais somos presenteados. Você pode não estar fazendo sua atividade favorita agora, mas é preciso fazer desse minuto muito mais do que 60 segundos desperdiçados.

Pode faltar muito para o final de semana, mas a gente não vive tanto tempo assim para se dar ao luxo de perder cinco dias, não é? O verão pode parecer mais atraente que o outono, mas quatro meses observando o cair das folhas são muito mais proveitosos do que quatro meses de lamentação e espera.

A gente acha que vive muito, mas o tempo passa cada vez mais rápido e não volta atrás. Os anos voam num piscar de olhos e você não vai ter a chance de vivê-los de novo quando se der conta de que eles passaram em branco.

É preciso ter do que se lembrar. Não precisa ser nada extravagante, não. Não é preciso que ocorra um acontecimento histórico de importância mundial a cada dia na vida da gente para que eles sejam lembrados com doçura. Uma gargalhada, um beijo, um reencontro, um alguém especial... Tudo isso faz a vida valer a pena.

A velha máxima de “só dar valor a algo quando o perdemos” não cabe nessa situação. Existem coisas que podemos recuperar com algum esforço, mas o tempo não. Cada minuto só acontece uma vez e cada oportunidade é única.

Se o tempo anda passando rápido demais e ainda não temos o poder de parar o relógio, que pelo menos tenhamos o prazer de guardar na memória algumas coisas sutis, mas extremamente importantes.

Eu quero ter o que contar para os meus filhos. E você?

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