quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O amor não-ideal

abraço casal
http://migre.me/bhYPy

Ontem estava lendo uma crônica da Martha Medeiros – da qual todos sabem que sou fã de carteirinha – em que ela falava sobre nossa reação ao nos depararmos com um amor que não é aquele que sempre sonhamos.

Parei pra pensar como deve ser esse amor tão desejado por todos, ou pelo menos pela maioria. Colocaria nele algumas características essenciais: respeito, lealdade, honestidade e companheirismo. E essas não são características que a gente busca apenas na pessoa com a qual queremos casar e ter filhos, não, mas em todas aquelas que de algum modo nos rodeiam.

Não consigo pensar em nenhum dote físico vital. Passamos a vida sonhando com um príncipe encantado alto, moreno e forte, mas muitas vezes ele não passa de um garotinho de academia que nos frustra assim que abre a boca. Sempre gostei mais dos engraçados, carinhosos e intelectuais.

Talvez seja legal que o nosso amor goste das mesmas coisas que a gente. Afinal, é divertido compartilhar da mesma euforia num show, querer assistir a mesma peça de teatro e gostar do mesmo tipo de filme quando vamos juntos ao cinema. Mas nada disso é, de fato, essencial.

A televisão, as histórias infantis e até mesmo nossos pais, nos ensinaram a sonhar demais. Por quererem o melhor pra nós – e como não haveriam de querer? – acredito que até mesmo nossa família crie um estereótipo muito único do que é a pessoa ideal pra gente.

E não que a gente não mereça e deva procurar sempre o melhor. Se contentar com pouco é para os fracos e incapazes, mas querer o irreal é arrogante e estúpido. 

Talvez ele curta metal, mas adore aquele restaurante mexicano que você ama e nunca acha alguém que queira ir com você. Ele pode odiar teatro, mas te emprestar uns bons livros sobre política para te entreter. Ele pode torcer pro Palmeiras, mas talvez te ensine a tocar violão como você sonha desde pequena.

A verdade é que criar expectativas irreais é pedir para se decepcionar – ou para ficar pra titia. Talvez simplesmente não exista mesmo esse lance de “pessoa perfeita”, e você pode se surpreender descobrindo que o amor da sua vida não é nada daquilo que você sonhou.

Fazer o quê? Deixar de viver uma linda história só porque você queria um cara menos loiro e um pouco mais culto? Coração não vê cara, histórico familiar e nem ficha criminal. Pra viver um grande amor, às vezes a gente tem que bancar o preço.

Exige paciência, tempo, aceitação. Talvez a outra pessoa precise mudar, ou talvez nós mesmo tenhamos que fazer isso. É difícil achar o equilíbrio quando nos relacionamos com outro mundo, mas precisamos encontrá-lo de uma forma ou de outra. 

O amor é bonito, mas nos prega peças. Afinal, que graça tem se apaixonar por alguém perfeito pra gente? Quais os sacrifícios e dificuldades que teríamos que enfrentar se assim fosse? Amor também é merecimento, minha gente.

Pode ser difícil, sim. Mas quem disse que se apaixonar é coisa fácil? 

4 comentários:

  1. Final feliz não tem molde né...
    Adorei o texto :)

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  2. Acho que algo em mim sabe sempre a hora certa de ler um texto seu que fala tudo o que eu preciso ouvir no momento, se possível gritado bem no meu ouvido pra ver se além de entrar na minha cabeça não age nos meus membros para que eu possa colocar em prática.
    Também adoro a Martha Medeiros..ótima influência, Bá.!

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