quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ser criança

criança feliz
http://migre.me/bkAK9

“Já que pra ser homem tem que ter a inocência de um menino.”
(Cidade Negra – Girassol)

Esses dias, voltando do trabalho, me deparei com algumas crianças jogando baralho na rua, na porta de suas casas. Confesso que voltei no tempo e lembrei o quanto essa época era boa!

Tive – e tenho – saudades do tempo em que a maior preocupação da minha vida era o trabalho de escola ou a prova de geometria. Saudades de quando eu não tinha contas pra pagar e tantas responsabilidades como tenho hoje.

É claro que se as responsabilidades cresceram, a liberdade também. Foi-se a época de ter hora pra chegar em casa, e hoje eu posso comprar a maioria das minhas coisas sozinha, além de tomar decisões sem precisar da ajuda de ninguém. Mas ainda não sei até onde vejo vantagens nisso. Síndrome de Peter Pan à parte, ser criança é um bocado bom, não?

Hoje olho pra trás e penso que deveria ter aproveitado mais esse tempo. Mas hoje o mundo não dá muita chance pra gente. Desde pequeno somos “treinados” para o universo de gente grande lá fora, onde tudo é competição, trabalho e dinheiro.

As crianças de hoje em dia fazem muito mais do que jogar baralho na rua. Elas tem que aprender inglês, judô, ballet e natação para de destacarem desde pequenas. Depois tem que começar a tirar notas altas e desde cedo decidirem o que é que querem ser na vida. Logo após vem os vestibulares, o primeiro emprego, as cobranças... Uma lista enorme de preocupações.

Confesso que fico pensando no papel dos pais sobre isso. Sei que eu, quando for mãe, não vou desejar nada menos que o melhor para os meus filhos, e sei que eles não vão escapar de certas cobranças e preocupações.

Quero que eles falem línguas, se dediquem a algum esporte, tirem boas notas, se alimentem bem e tudo mais, sim. Mas não vou me perdoar se tirar deles as alegrias singelas que só nos são dadas quando crianças: o gosto do picolé de frutas, a bolacha recheada proibida antes do jantar, os jogos e brincadeiras de rua, o desenho animado da televisão, e aquela caixa de lápis de cor da onde saem as mais lindas ilustrações.

Quando a gente cresce não tem mais tempo pra isso. A gente vira adulto e acha que todo tempo que passa é tempo “perdido”. Só criança de verdade sabe o quanto se ganha em algumas horas alegres e despreocupadas.

Eu não tive tempo de sentar com as crianças na rua aquele dia. Entre o trabalho e minha casa ainda reside mais uma jornada que se chama faculdade. Mas se eu pudesse eu teria dito a elas algo muito simples: “Aproveitem”.

Como não pude, digo a mim mesma: “Aproveite, Bárbara. O tempo não volta”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diz o que achou :)