quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Será que amar é mesmo tudo?

casal juntos cama
http://migre.me/bcaD2

"O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta."
(Fernanda Mello)

Me enrolei no edredom e deitei no sofá, enquanto o cheiro de chá quente emanava da cozinha. Queria dormir mas a cabeça não parava de rodar.

Depois de algumas histórias, uma centena de textos, algumas decepções e uma boa leva de lembranças felizes, ainda há algo sobre o amor que me tira o sono: eu não sei se ele basta.

A gente cresce lendo aqueles contos de fadas onde o amor supera tudo, de vilãs amarguradas à poções envenenadas e feitiços mortais. Mas na vida real os empecilhos são de verdade, e talvez por isso, sejam mais difíceis também.

Não há poções fatais, mas há mentiras que são tão venenosas quanto. Não existem vilões, mas existe inveja e um monte de fatores externos que atingem e atacam a gente. Não há feitiços, mas há uma outra pessoa que você desconhece e que vai ter que aprender a lidar.

A vida real é bem mais emocionante que os livros e filmes, principalmente porque se no final tudo der errado, não existe continuação que repare o que foi feito. Não dá pra regravar cenas, refazer scripts, jogar fora o roteiro. Aqui a gente só tem uma chance de fazer dar certo e nem sempre a gente consegue.

Não sei se é coisa minha, mas eu cresci aprendendo que a base de qualquer relação é o respeito. Sempre fui fiel à esse princípio, mas claro que acredito que existem outros pilares essenciais pra sustentar qualquer relação: lealdade, companheirismo, honestidade – e tudo baseado no tal respeito de novo.

Também não é novidade pra ninguém que sou ultra-romântica-assumida. Pra mim o amor é a coisa mais importante do mundo e todo aquele blá-blá-blá que faz ele mover montanhas.

A questão é que cansei de me deparar com gente que se ama mas não dá certo, e passei anos me indignando com toda e qualquer situação parecida com essa. Sempre achei um absurdo ver casais apaixonados separados e nunca entendi o que pode ser capaz de desfazer um relacionamento onde ainda existe amor.

Aí a vida me deu a(s) resposta(s): ciúmes, inveja, traição, mentira, alta de tempo, de dinheiro, de paciência, intolerância e uma lista imensa que faz qualquer um desistir de um sentimento bonito.

Mas ainda não me conformo.

Não me conformo, porque quando duas pessoas se amam de verdade essas coisas não deveriam existir. O que a gente aprende nos contos-de-fada e nos “Walk to Remember” da vida, é que o amor é soberano e maravilhoso. E o Renato Russo canta “Monte Castelo” dissertando sobre um amor completamente ausente de defeitos.

Mas o amor, por mais divino que pareça, ainda é um sentimento humano. E o ser humano não é perfeito. Nada que venha dele é.

Talvez o amor por si só não vença o mundo ou mova montanhas, mas ele é o princípio básico da vontade de fazer com que todo o resto faça isso. Sem amor não há sequer o que vencer.

Deixa estar, então. Quando é amor, a gente enfrenta. 

* O título desse texto é trecho da música "O que eu também não entendo", do Jota Quest.

2 comentários:

  1. Ainda não nos conformamos... E não se conformar é a chave de tudo, eu acho. Porque se depois de sete brigas feias, seis erros grandes e cinco longos anos (!) o amor não diminuiu nem um pouquiiinho, é porque tem que ter. E a "missão-humana" é fazer ser!

    *dadois fictícios, hahaha.

    Lindo, o texto.

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    1. Adoro comentários tão reais quantos os textos, Vic! Haha
      Que não nos conformemos e façamos ser! =)

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