quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A dor cega

Menina tampando os olhos
http://migre.me/d8tWJ
  
Entrou, sentou no sofá e me beijou como sempre. Me aconcheguei em seus braços e fechei os olhos tentando eternizar aquele momento. Não que ele fosse o último ou coisa parecida, mas eu precisava memorizar aquela sensação para nunca esquecer dela quando os maus pensamentos voltassem.

Afinal, das coisas ruins a gente não esquece. Elas se fazem lembrar toda hora, a cada pequena coisa que faça menção a algo que doa. E, infelizmente, a dor cega. É como bater o dedo mindinho na ponta da cama: a dor latejante, a vista escura, a vontade de gritar e amaldiçoar aquele momento. Quem consegue pensar em outra coisa enquanto a dor não vai embora? Pois é.

O amor não é cego, mas a dor é.

O perigo da dor é que ela faz todo o resto desaparecer. Não há céu azul, não há música bonita, não há bons sentimentos. Quando algo dói, nossa única esperança é de que aquilo passe. Todo o resto é complemento.

Quando alguém machuca a gente, a coisa é parecida. Quem é que lembra das palavras bonitas e dos abraços apertados? "Deixa pra lá". O ser humano não sabe dosar muito bem os sentimentos: nem a dor, e tampouco o amor. É como a linha tênue que separa os sentimentos, tão invisível e tão presente todos os dias. Um passo em falso e um já é esquecido para que outro tome seu lugar.

É claro que tudo passa. No caso do dedo mindinho, até que é rápido. A dor é alucinante, mas, graças á Deus, bem rápida. O difícil mesmo é quando a dor demora mais pra ir embora e a gente fica mais tempo cego para as outras coisas.

É por isso que eu precisava fechar bem os olhos e memorizar aquele momento: porque na hora da dor e da escuridão, eu precisava lembrar, eu precisava enxergar. E mais: precisava entender que a dor ia passar e que quando as luzes se acendessem novamente, o céu estaria azul, as músicas e palavras seriam bonitas, assim como os abraços bem apertados.

A dor é cega, mas, graças á Deus, o amor ainda enxerga muito bem.

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