quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Feminismo: atual e necessário


Há alguns dias eu venho adiando essa ideia que teimou em ficar na minha cabeça: a de escrever um texto sobre o feminismo. Primeiro, porque esse assunto para mim é tão delicado, que eu me recuso a escrever qualquer linha sem o máximo de embasamento possível para isso. Segundo, porque é um desses temas dos quais é difícil falar sem se exaltar.

Portanto, decidi deixar para outro dia um texto que fale sobre todas as raízes, lutas e profundidades do assunto. Decidi dedicar esse post, exclusivamente, a quem acha que o feminismo – principalmente o atual – é frescura ou falta do que fazer.

Aos que insistem em dizer que a luta é defasada e que as mulheres já conquistaram o que tinham direito, eu queria apenas fazer algumas perguntas.

1.    Partindo desse pressuposto, há alguma explicação plausível para as mulheres que ocupam os mesmos cargos que os homens receberem um salário menor por isso?
2.    É aceitável, então, que mulheres sejam estupradas e mortas em diversos lugares do mundo simplesmente por... Serem mulheres?
3.     O que justifica o fato de as mulheres serem diariamente taxadas de modo pejorativo por usarem shorts curtos demais, maquiagens fortes demais, e etc?
4.    Por que é, então, que mulheres que beijam e fazem sexo com quantos homens quiserem continuam sendo vítimas de comentários maliciosos e maldosos?
5.    Por que é que a mulher deve trabalhar fora e cuidar da casa, dos filhos, da cozinha e da família, enquanto o homem limita-se à TV da sala?
6.    Quantos homens você vê em reuniões escolares? Ou, então, abrindo mão da carreira de executivo-sênior para cuidar melhor da casa e dos filhos?

Vamos refletir.

É costume da minha avó me dizer que uso roupas curtas, tenho tatuagens grandes demais e não dou valor ao meu corpo, fora o ato de contar indiscretamente quantos namorados já tive. Minha avó, que viveu em uma época onde casamentos eram levados até o final da vida mesmo sem amor. Minha avó, que foi culpada pelo meu avô quando a filha mais nova engravidou antes de casar, como se a responsabilidade de educar os filhos fosse apenas dela. Minha avó, que trabalhou fora até os 65 anos, e cuidou de uma casa e de um marido até o final da vida dele.

Minha avó, vejam bem, eu perdôo. Meu avô (que Deus o tenha!) também. Mas quem vive em pleno século XXI e se faz valer de “costumes, cultura e tradição” para argumentar a favor do sexismo... Esses eu não desculpo!

Não entendo e não perdoo essa sociedade que impôs à mulher um “código de conduta” para que ela, o cumprindo, seja considerada uma “mulher de respeito”. Afinal, que porcaria é ser uma “mulher de respeito”?

Não pode ser ”fácil demais” senão não se dá valor, mas se for “muito difícil”, é chata, mal amada e mal comida. Se não trabalhar fora, é dependente do marido e folgada, mas se trabalhar, não dá valor à família e é desleixada com a casa e com os filhos. Se se arruma muito para sair, é patricinha e mimada, mas se não for vaidosa, não é mulher de verdade. Não pode ter foto de biquíni no Facebook, e falar de sexo em voz alta é feio e vulgar. Que saco ser mulher, não?

Para mim, me dar ao respeito é respeitar a mim mesma: respeitar meus princípios, valores e opiniões, sem ser sumariamente julgada por isso. O resto é balela, meus caros. Sinto muito.

Se de “mulher pelada no Carnaval todo mundo gosta”, não se sintam constrangidos com a nudez de quem luta por seus direitos, não! Mulheres, assim como homens, tem total direito sobre seu corpo. “Your body, your choice”, guys.

O feminismo de hoje NÃO é frescura. É só a continuação de uma luta para que casos de estupros coletivos que chocam o mundo como o de Nova Délhi não sejam “comuns” – muito mais do que se pensa -; para que o nosso diploma e registro profissional tenha o mesmo valor$ independente do sexo; para que possamos usar as roupas e maquiagens que quisermos, sem ser assediadas por isso; e, principalmente, para não deixar morrer a luta de quem deu o sangue – e a vida – pelo fim do sexismo.

 “A neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o algoz, nunca o oprimido.”
(Elie Wiese)

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