terça-feira, 19 de março de 2013

Em (des)construção

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"Na sua primeira paixão, a mulher ama o seu amante; 
em todas as outras, do que ela gosta é do amor."
(George Byron) 

Uma amiga minha me disse ontem que viveria apenas de paixão. “Sabe como é, né? Paixão é mais legal, mais emocionante, mais avassaladora. Paixão tira o chão, tira o ar, arrebata a gente.” É verdade. E é exatamente por tudo isso que ninguém consegue viver só de paixão.

A paixão é devastadora. Quando a gente se apaixona a gente esquece do mundo, esquece da gente, esquece até de respirar. Paixão é o contrário do amor. Enquanto o amor é construído ao longo do tempo, a paixão é destruída ao passar dele.

Na paixão não há o que construir. Tudo já vem pronto. A outra pessoa já é perfeita, vocês já foram feitos um para o outro, já se amam loucamente e já podem casar, ter filhos e ser felizes para sempre. Aos apaixonados só resta suspirar, aproveitar enlouquecidamente e até se esquecer que paixão... Bom, paixão acaba.

Com o passar dos dias, semanas e meses vem a decepção. É uma irritação aqui, uma dúvida ali, uma surpresa ruim, uma divergência de opiniões... Opa, será que aquele ser tão desejado não é perfeito? Pois é. Resta saber se você aguenta as coisas como elas realmente são, e não como os seus olhos apaixonados veem.

Diferente do amor, onde vamos construindo dia a dia a imagem de alguém e o respeito por ele, na paixão a expectativa é tanta que pode causar decepção. E é por isso que não dá pra viver somente dela, porque se o arrebatamento é forte e envolvente, a frustração também é. Para viver isso várias vezes na vida, só com muito estômago e coração!

Há quem goste, é claro. E obviamente não é de todo ruim. Experimentar o que é paixão é algo único, e aquela sensação de pés nas nuvens deveria ser provada por todo mundo alguma vez. Mas... Eu ainda prefiro o amor.

Sim, essa que já vos falou tanto de paixão, arrebatamento e afins, lhes diz humildemente que não quer mais saber de nada disso. Amar é mais legal. O companheirismo, a amizade, a cumplicidade e segurança são coisas que nada supera. Em vez de tirar o chão, vamos dar mais suporte. Em vez de deixar sem ar, vamos respirar mais fundo. A vida também precisa de estabilidade.

E amar não tem nada a ver com comodismo ou rotina. Amar envolve emoções mais sublimes. Conversar é mais difícil que gritar. Permanecer exige mais que abandonar. Amar é difícil, mas vale a pena.

Aos que curtem grandes emoções: apaixonem-se! Vão sem medo. Se joguem. Se lancem. Vivam até a última gota, porque paixão só é boa se é vivida até o fim.

Apaixonem-se até perceberem que em vez de montanhas-russas, precisam mais de pés no chão. Esse momento, uma hora ou outra, sempre chega. E que quando ele chegar haja uma mão estendida e um abraço apertado. Todo mundo precisa de amor, afinal.

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