quarta-feira, 6 de março de 2013

"Eu digo Charlie... Vocês dizem BROWN!"

(Sempre fui muito chata com o conteúdo do blog. Fora um ou dois posts sobre o Corinthians, sempre preferi deixar posts sobre política, música e qualquer outro assunto fora daqui. Esse é – antes de tudo – um blog de crônicas. Mas hoje, vocês vão ter que perdoar a invasão. Hoje o dia é diferente).

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Quando eu era pequena, lembro que lá em casa vivíamos ouvindo Legião Urbana. Minha mãe, muito apaixonada pela banda, colecionava alguns CDs e até mesmo aquelas fitas antigas. “Música para Acampamentos” e “Quatro Estações” eram meus álbuns favoritos.

Não entendia muito bem porque cantores como Renato e Cazuza não cantavam mais. Minha mãe tentava me explicar o tamanho do sucesso que eles fizeram, e da comoção nacional quando os dois se foram. Cresci com a impressão de que havia nascido na época errada. Mas foi então que eles me salvaram.

Antes que eu me sentisse muito órfã de rock nacional de verdade, eles apareceram. Antes de me apaixonar por Linkin Park, ou de curtir Blink 182 loucamente, outra banda abriu meus ouvidos. O Charlie Brown Jr. foi a banda da minha adolescência, e a trilha sonora de dezenas de momentos, todos eternizados pela voz do Chorão.

Então hoje, às 7h da manhã, minha mãe me acordou e me fez entender o que ela falava há anos, sobre a partida de grandes ídolos e ícones da música. Sinceramente, não pensei que o vazio fosse ser tão grande. O Chorão se foi, e agora, eu me sinto órfã de novo.

O Chorão se foi e parece que levou com ele um pouco do brilho dos últimos dez, doze anos. É como se os momentos que a voz dele marcou corressem o risco de desaparecer junto com ele. Hoje não teve céu azul, e ele que me perdoe, porque algo muito grande estragou meu dia.

Quem cresceu ouvindo Charlie Brown e Raimundos sabe o quanto eles são ícones do rock dos anos 90. Só quem se sentiu “rebelde” gritando palavrões na frente da mãe ouvindo suas músicas, quem usava “tênis de skatista” - como os tão idolatrados Qix -, e quem até hoje – como eu - tem vontade de aprender a andar de skate por causa do Chorão, vai entender.

Eu não me importo se você não gosta deles. Se você acha que “poetas” mesmo são caras como Renato, Cazuza, Lennon e etc (e sim, eles são). Mas o Chorão, cara... O Chorão foi o cara que por anos extravasou os sentimentos de milhões de jovens, que gritou nossas vontades, cantou nossas dúvidas, defendeu nosso mundo. O Chorão foi O CARA!

Foram quatro shows, alguns CDs, e até uma despistada marota no cara do Cinemark que não queria me deixar assistir “O Magnata” (na época eu tinha 14 anos, e a censura era 16). Uma raivinha que dava toda vez que a banda mudava de formação, e até certa mágoa depois da briga entre o Chorão e Champignon no final do ano passado, em cima do palco, durante o show.

Mas mais do que isso, foi uma vida cantada ao som dos caras.

Eu queria dizer pra minha melhor amiga que eu até hoje lembro da gente “parodiando os palavrões” de “Papo Reto”. Queria dizer pra um dos meus melhores amigos – que compartilha comigo diversas paixões musicais - que “Champagne e Água Benta”  sempre vai me fazer lembrar dele e da sua paixão pelo skate. Pra outro, eu diria que “Vícios e Virtudes” me traz boas e perigosas lembranças. Queria dizer ainda, pra outro amigo guardar bem o CD "Acústico MTV" que eu dei pra ele quando a gente tinha uns 12 anos. E ainda queria dizer pra outro – que infelizmente também já está no céu – que “Senhor do Tempo” é muito mais do que a legenda da nossa foto no Orkut.

As letras do Chorão estão escritas nas minhas agendas antigas, nos meus velhos nicks e subnicks do MSN, bios e legendas de redes sociais. Dava pra fazer um CD contando a minha história só com músicas do Charlie Brown. Quem nunca cantou alto a antiga música de abertura de "Malhação"? Queria muito voltar no tempo e assisti-los novamente no X-Games, no Gas Festival... E principalmente, abrindo os dois shows da minha banda favorita aqui em São Paulo.

Queria agradecer pelos versos de “Eu Vim de Santos, sou Charlie Brown” que, no último ano, me tiraram de toda e qualquer bad trip. Agradecer por sentir vontade de recomeçar toda vez que eu ouço “Só os Loucos Sabem”. Agradecer por tanta coisa, tantas músicas, tantos versos...

É. “O que se leva da vida, é o que se vive é o que se faz”, e você vai levar contigo o carinho de milhões de pessoas que você fez melhores, mais lúcidos, menos vaidosos. 

Valeu, Chorão! Vai em paz, curte seu skate e cante sua paz pra todo mundo aí em cima.

Aqui embaixo, a playlist tá rolando, e sua voz ainda emana, guerreiro. Geração Charlie Brown!


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