segunda-feira, 8 de abril de 2013

A cura

http://migre.me/e2dKy

"Just keep following the heartlines on your hand"
(Florence + The Machine - Heartilines)

Quando a gente se conheceu, você não me olhou do jeito que os outros olham. Aliás, quando foi que a gente se conheceu mesmo? Lembro de ter ouvido uns amigos meus dizendo o seu nome, sim, mas não consigo sequer me recordar da primeira vez que te vi.

Quando você me tocou pela primeira vez, só pra fazer carinho ou massagear meus ombros, você não fez como os outros. Quando me deu um chocolate, tentando secar minhas lágrimas teimosas, fez o que quase nenhum outro faria.

Você esperou o ônibus comigo um zilhão de vezes, se sentou no banco ao lado, conversou comigo assuntos corriqueiros e se despediu com um beijo estalado um zilhão de noites. Mas você era diferente dos outros, entende?

Você sempre foi conforto. Conforto que me abraçava forte quando fazia frio e eu esquecia a blusa. Conforto quando eu precisava falar sem parar e você delicadamente não deixava seu cigarro para me fazer interromper. Conforto quando eu precisava de ajuda naquele trabalho, naquela prova, naqueles meses difíceis.

Você segurou a barra e fingiu que não via que, por algum tempo, eu seria quase como alguém inútil. Você não julgou e nem criticou a apatia que vinha junto com o sofrimento estampado em minha face. Você fez de tudo para que eu melhorasse, sem que para isso precisasse me dar lições de moral ou repetir clichês dos quais eu já estava cansada. Você só me deu amor.

Você me deu amor e eu achei aquilo ofensivo. Como, diante de tanta dor, você ousava me presentear com aquilo? Por que? Mas você não desistiu frente a minha primeira recusa. E nem frente à segunda, terceira, e sejam lá quantas tenham sido. Você continuou me dando amor e sem que eu percebesse me preencheu dele, de uma maneira que fez ele se tornar simplesmente necessário.

Você me curou com minha própria doença. Eu, cansada de amar demais, fui curada ao perceber que o sentimento que crescia mim só queria me trazer paz. E trouxe. Trouxe você. Trouxe “nós”. E trará uma casa, dois filhos, dois cachorros e uma gata.

Você nunca foi igual aos outros. Porque você deixou que eu fosse eu. E eu... Bom, eu amo você.

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