sexta-feira, 19 de abril de 2013

Quanto tempo?

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Se o tempo não cura (e talvez não cure mesmo), pelo menos ajeita as coisas de uma maneira que torna tudo mais suportável. Ele tem suas traquinagens, é claro, mas, de fato, querer entender o tempo seria de uma arrogância tremenda.

Eu, por exemplo, nunca sei ele passa rápido ou lento demais. Quanto tempo você demora pra conhecer alguém de verdade? E para amá-lo? Para perdoá-lo? Esquecê-lo? Quanto tempo você demora para aprender com seus erros? Uma vez basta? Duas, talvez? Quanto tempo leva daqui até o ponto aonde se quer chegar? Dez anos, cinco, dois?

Tem quem se apaixone à primeira vista, e tem quem só diga “eu te amo” no altar. Conheço quem não guarde mágoas, e conheço pessoas que morreram levando-as. Quanto tempo dura a nossa passagem aqui na Terra? Será que ela pode acabar amanhã?

Ontem saí para jantar com uma amiga que não via há meses. Nada havia mudado, e muito menos a certeza de que daquele encontro viriam importantes percepções – simplesmente porque sempre vêm.

Ela me perguntou como eu estava e eu sabia que se fosse há alguns meses, provavelmente despejaria minha enorme lista de reclamações, dúvidas e angústias. Ontem, preferi apenas dizer “andam como sempre: em meio a altos e baixos, mas em frente”. Ela me olhou e também sabia: algo havia mudado.

E isso, porque algo muda o tempo todo. Não sei quanto tempo se leva para aprender certas coisas, mas ainda que isso dure uma vida, não será tempo perdido. É bom olhar para trás e ver que o que precisava ser mudado não está mais igual. Às vezes, nesse processo, vão-se meses de sofrimento, mas vale a pena se isso trouxer o resto de uma vida de paz.

É reconfortante ver que hoje você é capaz do que há meses duvidava. É gratificante ver que as coisas ruins, vejam só: passaram. E obviamente ainda há coisas fora do lugar, mas e daí? Quando é que não há?

Não importa se o tempo cura, disfarça, distancia ou atrapalha. O que importa é que ele passa, e leva e traz com ele tudo o que, de fato, lhe pertence. O resto... O resto é só clichê.

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