terça-feira, 4 de junho de 2013

Minha biblioteca

http://migre.me/eS4e5

“Já que se há de escrever, 
que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.
(Clarice Lispector) 

Leio livros extensos em menos de dois dias. Assisto a temporadas inteiras de uma boa série em um final de semana. Falo rápido em todas as minhas locuções. Eu e essa minha frequente mania de desejar que tudo chegue logo ao fim - vulgo, ansiedade.

Sempre fui curiosa. Odeio presenciar conversas nas quais eu não entendo nada sobre o assunto principal. Fico sem graça sempre que desconheço algo que me perguntam. Usava o “Cadê?” antes do Google, e as enciclopédias do meu avô antes de ter acesso à internet.

Essas são as duas características que me fizeram escolher o jornalismo. A ansiedade pelo conhecimento, sabe? A mania de querer saber de tudo antes que alguém me pegue no pulo e descubra que eu não sei de quase nada. Soa pretensioso, mas pra mim é só paixão.

Quando era pequena, passava as tardes em bibliotecas. Nunca esqueço aquele cartão de papel amarelo, batido na máquina de escrever e preenchido com carimbos que me diziam quando eu devia devolver os três livros daquela semana. Pedi pra minha avó fazer uma carteirinha também, só pra eu poder pegar seis livros por vez.

Se minha avó me presentou com sua companhia nas visitas às bibliotecas, meu avô me presenteou com uma inteirinha só pra mim. Todo mês, uma enciclopédia nova. Atlas, livros sobre a história do mundo, arte e ciência. Ele partiu e deixou sua mensagem: “conheça, Bárbara, aprenda!”.

Acho que, no final das contas, eu não tinha muito escolha. Nos últimos anos antes do vestibular tentei me imaginar fazendo milhares de outras coisas. Até me matriculei no curso de Ciências Sociais, mas só pra não ficar parada caso não passasse em Jornalismo. Não entendo tão bem de outra coisa que não seja ler e escrever.

Tenho guardados no meu baú uma dezena de diários, e até o primeiro – e único – livro que escrevi na vida, quando tinha uns 10 anos. Uma “obra” todinha baseada na coleção do Pedro Bandeira, pela qual eu me apaixonei depois de ler “Droga da Obediência”. Eram bons tempos.

Hoje eu quero fazer minha própria biblioteca. O vício pelos livros contribui, já que mesmo com uma dezena deles inacabados em casa, eu continuo não resistindo a tentação de adquiri-los.  Mas ainda espero um dia encontrar obras assinadas com meu nome na estante.

Sim, permaneço ansiosa. Mas dessa vez, não quero que esse caminho acabe. Ele está só começando, e eu ainda tenho e quero fazer muito nesse percurso. Minha mãe me ensinou a ter paciência para esperar pelo reconhecimento.

Que venham os próximos capítulos! Prometo que os nomes de Tarciso, Odile e Valéria estarão na página de dedicatórias dessa história. Foram eles que começaram essa grande biblioteca, afinal. 

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