quarta-feira, 26 de junho de 2013

Reencontro

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"Nós dois já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar"
(Marisa Monte - Depois)

Olhei para ele desconcertada. Enquanto minha mente xingava todos os deuses do destino por ter me colocado na sua frente de novo, tentei esboçar o sorriso mais natural possível. Na certa fora um desastre.

Ele não se fez de rogado. Me abraçou, e com sua voz doce ressaltou como era incrível a coincidência de termos nos encontrado ali, numa dessas festas juninas de bairro. Na verdade, ambos sabíamos que ele morava ali perto. Eu só não imaginava que ele fosse chegado a esse tipo de evento.

Na verdade, eu não tinha como saber. O mês de junho não estava incluso no curto período em que ficamos juntos. Nos conhecemos no verão, numa dessas noites quentes, em volta da piscina. Não tivemos a oportunidade de passar um dia sequer enrolados em edredons.

E lá estávamos nós, com cachecóis, roupas quentes e calçados que nos protegiam do frio. Nada de biquínis, shorts e óculos de sol. Em vez da vodka, o vinho quente nos aquecia ao som do... Mentira, não sei que som estava tocando. Meus sentidos ficaram imediatamente confusos quando nos trombamos naquela noite.

De repente, me lembrei que havia alguém do nosso lado. Ah! Era minha amiga. Fiz as apresentações rapidamente e tentei não olhar para ela quando disse o nome dele. Obviamente, era um nome do qual ela já tinha ouvido falar muito.

De tudo que havia mudado em quase quatro anos, uma coisa permanecia igual: ele ainda era o mesmo menino. Agia com uma naturalidade que me assustava. Ignorava os e-mails que ambos sabíamos que eu nunca respondi, assim como eu fingia não lembrar das mensagens de texto enviadas durante drinks e bebedeiras. Éramos os mesmos e ainda jogávamos o mesmo jogo.

Logo percebi que ele estava acompanhado. É claro que estava. Afinal, quando ele não está? Quis poupá-lo das apresentações, afinal, lembro que a última namorada do qual tive notícias não ia muito com a minha cara.

Bobagem! Nunca fui ameaça a ninguém. Nunca, de maneira alguma, colocamos em risco os relacionamentos de algum de nós. Éramos só um homem e uma mulher brincando com os sentimentos um do outro.

Nunca daríamos certo, e sabíamos disso. Nunca tivemos um instante de paz. Éramos o refúgio um do outro, apenas. Quando a rotina nos sufocava encontrávamos emoção em nós. Um “nós” que nunca existiu.

Me dei ao direito de olhar em seus olhos apenas uma vez aquela noite. Foi o suficiente para ele entender. Era hora de se afastar novamente. Da última vez, o pedido tinha sido dele. “Não consigo ficar perto de você sem fazer besteira”, me disse. Agora, eu suplicava: não, não, por favor, não.

Nos despedimos com um abraço furtivo e seguimos cada um em uma direção. Éramos mestres nos encontros e desencontros da vida. A distância doía menos que a presença, que era, como sempre, perturbadora.

Mais uma vez fomos embora repetindo mentalmente a mesma afirmação: “Quem sabe um dia...”. Mas a gente sabe que não. Não vai dar certo nunca mais.  

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