quarta-feira, 5 de junho de 2013

Você não volta

 
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Quem sabe se eu te cantasse aquela música? Ou recitasse aquele poema? Será que é melhor escrever uma carta, fazer um filme, compor uma nova canção?

Pode ser que eu mude o tempero da comida, que eu troque os móveis de lugar e pinte as paredes da sala também.

E se eu comprar um vestido novo, vermelho e rendando? Se carregar a maquiagem e extrapolar um pouco no decote?

E se eu adotar um cachorrinho, filhote, daqueles manhosos e lindos? Prefere um gato, talvez? Quer escolher comigo?

Também posso arrumar a televisão da sala, formatar o computador e mandar consertar o nosso videogame. Quer jogar comigo até de madrugada essa noite, meu bem?

Posso tirar as cortinas do quarto, deixar o sol entrar, trocar os lençóis. Comprar um novo perfume, levar o carro pra lavar, comprar passagens pra gente viajar.

Mas antes... Antes você tem que me olhar. Antes você tem que me ouvir.

Quer que eu faça o quê? Que eu rasgue suas roupas, queime seus papéis e risque todos os seus discos? Que eu revele seus segredos, que espalhe os seus vícios?

Posso afastar seus filhos, xingar a sua mãe, ir embora com o circo. Posso te expulsar de casa, fugir com o meu amante, levar embora tudo isso.

Tudo isso.

Tudo isso que não é nada. Porque você não me olha, não me ouve e nem crê em mim.

O comodismo é dez vezes mais amargo que o café que você faz – mesmo sabendo que eu amo açúcar. A distância é o que ficou de real, mesmo que estejamos sempre tão perto.

Dessa vez a Adriana Calcanhoto pode contar as mentiras que quiser. Dessa vez... Você não volta.


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