terça-feira, 2 de julho de 2013

Escuridão

http://migre.me/fhpCb

“But there's a side, to you, that I never knew, never knew
All the things you'd said, they were never true, never true
And the games you'd played, you would always win, always win
(Adele – Set Fire To The Rain)

Ele me pedia pra ficar. Dizia que me amava e me enchia de beijos e carinhos enquanto sussurrava que não podia me perder.

Me trazia presentes e me fazia cafuné. Me abraçava forte e me colocava em seu peito quando eu estava chorando. Me protegia de todo o mal – ou quase.

Ele não podia e nem conseguia me poupar de sua própria sombra. Ainda que ele desejasse que eu estivesse sempre sob ela, sabia bem os males a que isso me submetia. E para isso não havia remédio.

Onde há luz, a sombra. Onde há sombra, há luz. Todo mundo tem um lado obscuro que às vezes vem à tona quando a claridade se esvai. Resta saber o quão bem você pode lidar com a escuridão.

A distorção da percepção, o medo, a insegurança: tudo isso se revela quando os olhos não podem ver. Com a nossa própria sombra talvez a gente saiba lidar, afinal, o terreno não nos é desconhecido. Mas com a dos outros... Como saber?

Eu amava sua luz. O brilho dos olhos, o esplendor dos cabelos. Adorava o sorriso que iluminava ainda mais as maçãs do seu rosto. Sob a luz, ele era tudo que eu sempre quis. Era meu amor, meu amigo, meu cúmplice. Era meu caminho, minha estrada, meu guia. Era quem me tirava da minha própria escuridão.

Mas, como sempre, eu não conseguia lidar com a sua sombra. Não conseguia tatear as paredes, não encontrava o fim do túnel e a penumbra me sufocava.

Quando tudo voltava a clarear, eu demorava horas para ter certeza de onde pisar. Se a sombra preenche uma vez um lugar, ele nunca mais volta a ser o mesmo. Quando ela nos preenchia, nós também não.

São 12h43. Ainda é noite por aqui.

2 comentários:

  1. Faz muuito tempo que eu não comento aqui, mas eu leio sempre, viu? Muito bom esse texto. Me identifiquei demais com ele. Incrível que quando algo nos muda, nós não voltamos a ser os mesmos nunca mais. Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai, mas que honra, Marie!
      Que bom que se identificou. Sim, nós mudamos o tempo todo, e nunca dá pra voltar atrás, né? Que pelo menos a gente saiba aproveitar isso da melhor maneira, então!
      Beijos, e obrigada por visitar o blog!

      Excluir

Diz o que achou :)