sexta-feira, 19 de julho de 2013

Imaginação

http://migre.me/fxmrH
"Só pra saber
Nesse tal filme de romance
Antes que o público se canse
Você me beija no final?"
(Fred Astaire – Clarice Falcão)

Você é o personagem principal de todas as minhas histórias malucas. Sempre que tento fugir do real, me deparo com você abrindo a porta da minha imaginação. Esqueço tudo que foi e que é, e tento divagar sobre o que poderia ter sido.


Gosto de brincar com os seus cabelos. Será que eles permaneceriam iguais se a gente se casasse e ficasse juntos por dez, vinte anos? Será que eles ainda acordariam desarrumados completando o ar de criança dessa sua cara sempre amassada de sono?

Brinco com as fisionomias também. De todas elas, gostava da que você fazia quando me queria. Era uma mordida de lábios acompanhada de um estreitar de olhos. Será que eu ainda a veria se tivéssemos permanecido juntos?

É interessante imaginar o impossível. Imaginar nós dois construindo uma vida estável – já que sempre fomos tão avessos à rotina - e um relacionamento duradouro – desses dos quais a gente sempre zombou.

Sempre fomos livres demais para crer em amores eternos. O seu celular sempre desligado e minhas permanentes olheiras de ressaca davam o tom. Às vezes dávamos a sorte de nos encontrar pela noite, no mesmo lugar, às vezes com os mesmos amigos. Nada combinado, é claro, só curtição.

Você ria das músicas românticas que tocavam no fim da balada. Me chamava pra dançar e juntos zombávamos daquele sentimentalismo enjoado. Éramos superiores a essas coisas mundanas, afinal.

Se hoje você me visse a beira do altar, certamente não acreditaria. Perguntaria por que a calda tão longa se eu sempre gostei dos vestidinhos curtos. Eu riria e diria que seria mais apropriado se você tivesse vindo de terno e gravata.

Você, ousado, me convidaria para uma das suas viagens sem data para acabar. Diria, com a maior naturalidade do mundo, que bastaria que eu abandonasse meus noivos e convidados. Eu responderia o quanto isso é impossível, e você iria embora nervoso e decepcionado.

Mas, não. Eu não estou a beira do altar e ainda não distribuí os convites do meu casamento. Só é gostoso brincar com você e com esse garoto que parou no tempo só para saciar os desejos sacanas da minha imaginação.

A verdade é que talvez você nem exista.

Mas, a propósito, me caso no ano que vem. Se vier, não esquece o paletó.

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