quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mudar - por quem?

http://migre.me/fjgEM
"Help me understand
Or take me as I am
I'll change my point of view
Anything for you”
(Start Anew – Beady Eye)

Se um dia alguém te disser que você nunca deve mudar por ninguém, não ouça. Você vai mudar muito durante a vida, e muitas pessoas o ajudarão nisso.

Concordo que a gente não deva abrir mão dos pedaços da nossa essência, princípios e valores. A gente nasce de um jeito e leva certas coisas até o final, simplesmente porque se não levar, deixa de ser a gente mesmo.

Mas, ao mesmo tempo, se todo mundo já estivesse pronto e não tivesse nada para melhorar, por que raios estaríamos vivos? As pessoas que nós conhecemos e amamos estão no nosso caminho para nos ajudar na missão básica da vida: evoluir.

Tem quem precise melhorar o egoísmo, a prepotência e o orgulho. Tem quem precise ser menos inseguro, ciumento e medroso. Tem quem precise conter a agressividade e os impulsos. Ninguém é perfeito, afinal.

Quando estamos sozinhos, isso importa bem menos. Às vezes a gente quase não percebe os nossos defeitos antes que eles atinjam quem amamos. Mas quando eles atingem, a coisa muda de figura. É difícil magoar quem a gente ama. E é aí que a mudança começa.

Não, você não está mudando pelo outro, mas por você. Você não está mudando para parar de agredir alguém, está mudando porque fazer isso agride também à você.

A verdade é que nós somos egocêntricos – ou egoístas - até nisso. Se machucar outra pessoa não nos machuca também, a gente não se dá ao trabalho de querer mudar isso. 

E mesmo que os outros sejam o primeiro degrau da evolução, com o tempo a gente percebe que eles pouco podem fazer pela gente. Ninguém muda o outro, a gente é que se modifica. Não é como argila, que qualquer um pode amassar daqui, de lá, e mudar a forma quando quiser. Só a gente sabe o jeito certo de modificar o que precisa. E se não sabe, aprende.

Na maioria das vezes é um processo difícil, doloroso e demorado. Às vezes a gente perde. Perde para o nosso gênio difícil, para o nosso orgulho, e muitas vezes, acaba perdendo quem a gente ama também. Faz parte. Se fosse fácil, a gente não precisava viver tanto.

É por isso que eu acho que toda mudança que faz bem pra gente e pra quem a gente ama não deve ser motivo de vergonha, mas de orgulho. Mudança ruim é aquela onde a gente muda obrigado, oprimido, por medo. Aquela em que a gente só muda por dependência, por receio das más reações, e não por vontade própria.

A gente não pode – e não deve – deixar de ser quem a gente é para se tornar tudo que o outro deseja. Porque no final, amar também é aceitar os outros e seus defeitos, sim.

O que a gente precisa é ter humildade pra reconhecer em si mesmo e no outro tudo o que precisa e quer melhorar para ser mais feliz consigo mesmo e com quem quer que seja.  Isso não é ser submisso. Isso também é amor.

Quando a gente ama, a gente entende que precisa dar sempre o melhor de si para não deixar partir quem a gente tanto gosta. E, principalmente, para fazer quem a gente ama feliz. Tudo isso sem renunciar a quem realmente somos.

Parece difícil, não é? E é. Esse é o segredo de um bom relacionamento. Se um dia alguém descobrir a fórmula mágica, por favor... Não conte. Todo bom amante tem que descobrir a sua.

Se amor também é merecimento, que saibamos lidar bem com esses desafios.

2 comentários:



  1. "Concordo que a gente não deva abrir mão dos pedaços da nossa essência, princípios e valores. A gente nasce de um jeito e leva certas coisas até o final, simplesmente porque se não levar, deixa de ser a gente mesmo.

    Mas, ao mesmo tempo, se todo mundo já estivesse pronto e não tivesse nada para melhorar, por que raios estaríamos vivos? As pessoas que nós conhecemos e amamos estão no nosso caminho para nos ajudar na missão básica da vida: evoluir."
    Super me identifiquei com seu pensamento, adorando ler seus textos Bárbara.

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    1. Fico super contente de ler isso, Luna! Espero que meus textos possam tocar seu coração!

      Volte sempre! <3

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