sexta-feira, 12 de julho de 2013

Permanecer


“Are you hurting the one you love?
You'd like to stay in heaven but the rules are too tough”
(Are you hurting the one you love? – Florence and The Machine)

Mas sempre tem algo que impede a gente de partir. Pode ser o sorriso que implora a permanência, o olhar doce, o jeito de fazer de conta que não está vendo nada acontecer e até as frases presunçosas de quem sabe que o que foi construído é forte demais para se quebrar.

E a gente fica. A gente fica porque essas coisas boas e gostosas ainda fazem a gente esquecer das coisas ruins. Coisas ruins essas, que também fazem a gente esquecer por alguns instantes de tudo que é bom. É quase um ciclo, não é?

É que a gente tem mania de querer ser feliz sempre, para sempre. É por isso que as pequenas brigas, os rachas e as vírgulas no nosso conto de fadas incomodam tanto. “Ora, se eu não posso ser feliz a todo momento, melhor parar por aqui”. Será que faz sentido?

A verdade é que a gente nunca vai estar plenamente satisfeito com tudo. Quando se trata de relacionamento, frequentemente estaremos em conflito. Quando dois mundos se encontram, é inevitável que eles se choquem. Aí, o que fala mais alto é o resto.

Quando um ou dois dias de embates são compensados por momentos de ternura e carinho, a gente aguenta, se adapta, faz por onde. Mas se esses instantes de caos são tão avassaladores que nos fazem perder o chão e esquecer do resto... Bom, melhor deixar pra lá.

E não é apenas uma equação matemática, ou a história clichê que nos aconselha “colocar as coisas na balança”. Às vezes as coisas boas são mais frequentes, mas os momentos ruins são extremamente mais intensos. Não é uma questão numérica.  
                                
Sempre achei – e já escrevi sobre isso – que pra ser feliz com outra pessoa precisamos, antes de tudo, tolerar os defeitos dela. Se você consegue suportar o que há de ruim, com certeza vai deixar o que é bom falar mais alto. Se não, o caminho é mais árduo.

Não sei se há solução pra essas coisas. Não sei se um dia a gente realmente se adapta a outro alguém e é feliz dessa maneira. Pode ser que sim e pode ser que não.

O que eu sei é que se há coisas boas – muito boas mesmo –, a gente permanece. E enquanto ainda temos vontade de permanecer, deve estar tudo bem.

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