sábado, 20 de julho de 2013

Quebra-cabeça


“Meus amigos são antigos como meus ideais
Como os vinis que guardei, crendo que eles valem mais
(Emicida – Meus Amigos)

Acho que não existem amizades iguais. Sempre tive a impressão de que cada amigo meu é um pedaço diferente de um grande cabeça: eu mesma. Cada um no seu lugar fazendo de mim um ser humano um pouco mais completo.

Também acho que a certa altura da vida, acreditamos que nunca mais faremos amizades tão verdadeiras como as de antes. Nossos amigos de infância são tão importantes que é difícil crer que acharemos no meio da vida adulta – tão cheia de contratempos – sentimentos tão puros.

Meus antigos amigos são mesmo os meus favoritos. Eles foram a base pra tudo que eu sou hoje. Me conhecem de um jeito perturbador, e o mais importante: nunca, nunca mesmo me julgam.

Quando era mais nova sempre tive mais amigos homens, que me protegiam de tudo e me tratavam como princesa. Eu era a garota medrosa, chorona e romântica da turma, mas também uma das mais atenciosas e preocupadas. Por me conhecerem tanto e tão bem, eles sempre sabiam como lidar comigo.

As minhas melhores amigas também conheci há dez anos. Éramos fedelhas que já se achavam grandes e maduras. Passamos juntos por todos esses acontecimentos que moldam uma pessoa: desde o primeiro amor até a perda de pessoas importantes. Sou hoje muito do que elas me ensinaram a ser.

Sempre tivemos diferenças, é claro. Meu melhor amigo não se importava tanto com os estudos como eu, mas quando ele partiu, eu aprendi que sempre estive errada em não aproveitar a vida como ele.

Minha melhor amiga sempre foi muito mais racional que eu, mas quando eu chorava de medo e desespero era ela que me dizia que tudo ficaria bem de um jeito ou de outro.

Ainda que fôssemos tão diferentes, nos completávamos. Havia quem me fazia rir nos momentos difíceis pra me fazer esquecer de todo o mal, e havia quem me dizia as verdades que eu fingia não ver ou não me importar. Havia quem me defendia do mundo e de tudo que podia me fazer mal, e havia quem me dava broncas homéricas que me ensinaram princípios que eu levo comigo até hoje.

Infelizmente, os tempos não são mais os mesmos. Já não temos tardes livres pra passar vagabundeando na escola, ou sextas de descanso onde podíamos comer e papear até altas horas. A vida cobra e o tempo pra essas coisas boas da vida é escasso.

No entanto, a vida se renova e nos traz novas oportunidades. De uns anos pra cá conheci pessoas que me acolheram e tornaram essa fase – de grandes desafios – bem mais fácil de atravessar. Foram essas pessoas que me mostraram que nunca é tarde pra fazer amizades tão boas como a da infância.

E quando o mundo cai sobre minha cabeça, quando eu tenho vontade de fugir pra um lugar onde ninguém julgue minhas fraquezas e inseguranças, é neles que eu penso. Nesses amigos que me acolhem com um olhar, que me reconhecem de longe e me entendem sem que eu precise dizer uma palavra.

Não sei qual é, de fato, a diferença entre a amizade e o amor. Não dá pra amar alguém do qual não somos amigos, dá? E também não dá pra ser amigo de alguém que a gente não ama. É por isso que acho, do fundo do coração, que a amizade é o amor mais puro que existe.

Queria agradecer imensamente as pessoas que me deram a oportunidade de amar tão intensamente. Não importa o tempo, a distância ou os contratempos da vida: eu amo vocês, e vocês sempre serão os pedaços mais importantes de mim.

Feliz dia do amigo!

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