segunda-feira, 29 de julho de 2013

Uma dose de fé

http://migre.me/fCtEk

 sf (lat fide): 1 Crença, crédito; convicção da existência de algum fato
 ou da veracidade de alguma asserção.

Sempre tive dificuldades pra “escolher” uma religião. Primeiramente, porque o fato de ter que optar entre uma vertente ou outra sempre me causa espanto: fé é fé, oras; por que raios eu preciso definir se sou católica, evangélica, umbandista ou seja lá o que for?

O segundo obstáculo é o fato de nunca me sentir plena em lugar nenhum. Os dogmas das religiões tradicionais – e conservadoras – me causam comichões. As “leis” de algumas outras também são difíceis de entender. No final das contas, me encaixei melhor no kardecismo, mas isso não quer dizer que eu não a questione dezenas de vezes no meu dia a dia.

Ainda assim, consigo me emocionar com toda e qualquer fé, por que a fé, só por sê-la, já é uma benção. Os milhões de pessoas que dormiram na praia de Copacabana para ver o papa nessa última semana me causaram estranheza: é tão absurdo ver tanta gente parando sua vida para isso, que é impossível não ficar um pouco encantada também.

É que a fé é intocável. É inexplicável. Não é passível de entendimento. Eu, que estou longe de ser a religiosa mais fervorosa do mundo, não consigo entender por que aquelas pessoas choram, gritam, cantam e se emocionam com a simples presença de um homem que ao meu ver é tão humano quanto qualquer um de nós.

E exatamente por não entender é que essas cenas tocam tanto. É como se eu me perguntasse: que força é essa que move as pessoas dessa maneira? Que encanto ou engenho sobrenatural faz com que elas sintam tamanha emoção? E aí... Bom, aí a gente embarca um pouco nisso também.

Eu, que critico e discordo tanto da igreja católica, me emocionei com a criança que abraçou o papa aos prantos. Assim como me emociono com a disciplina dos seguidores da umbanda e com a paz que percorre o meu corpo quando tomo um passe.

Respeito quem não acredita em Deus. Respeito porque entendo que é complicado mesmo acreditar num ser que saiba e reja tudo. Eu mesma não sei do que o meu Deus é a favor ou contra.

Acho que o Deus da gente tem a cara e os valores de cada um. O meu, por exemplo, é puro amor. Amor a todos os seres desse mundo, independente da espécie, cor, condição social, credo ou opção sexual.

O Deus dos outros é diferente, o de alguns pode ser parecido, mas acho bem raro que o Deus de alguém seja igual o da gente. E, afinal, precisa ser igual pra quê? Será mesmo que ainda temos que nos prender a essas tais “religiões” para termos fé verdadeira?

Acredito que não. Enquanto eu continuar me emocionando com a fé dos outros, que é tão diferente da minha, conservo a certeza de que o importante é acreditar no que te faz bem. O resto é só uma tentativa vã de qualificar ou denominar o que não tem explicação.

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