sábado, 19 de outubro de 2013

O que é sagrado


"Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um"
(Martha Medeiros)

Tenho poucas cicatrizes – pelo menos dessas que a gente vê na pele. Não ando de bicicleta, patins ou skate. Sou meio desastrada, mas nunca quebrei nada. Não fiz nenhuma cirurgia na vida.

Minha pele, de fato, não é exatamente o registro da minha vida – fora minhas três tatuagens que dizem bastante sobre mim.

Mas, usando e abusando dos clichês, tenho uma dezena de cicatrizes internas. Sou uma pessoa cheia de traumas: tenho pavor de gritos e não gosto de alguns toques, por exemplo. Eu podia expor meus motivos – e um dia eu até pretendo criar coragem pra isso -, mas não é o caso.

O que eu queria dizer é que cada um tem um santuário que deve ser respeitado. Uma linha amarela que não pode ser atravessada. Uma frase que não pode ser dita em voz alta. Um segredo íntimo e pessoal que deve ser mantido inabalável.

Acredito que achar a pessoa ideal passe diretamente por isso. A pessoa certa não ultrapassa seus limites. Ela respeita seus traumas. Ela compartilha sua dor e evita suas lágrimas.

Lógico, há exceções. Até porque, não há redoma de vidro que seja suficiente nessa vida. Cedo ou tarde alguém “pisa no nosso calo”. Mas a pessoa certa com certeza evita.

O tempo passa e a gente também fica mais forte. Aguenta mais tranquilamente o tranco. Respira mais fundo, fecha os olhos e medita, dá um jeito de não deixar as coisas virem à tona. Dói, mas a dor é suportável.

É difícil achar um equilíbrio. Ninguém é obrigada a saber lidar com o trauma dos outros. Às vezes nem a gente mesmo sabe lidar com os nossos. Mas para viver um vida juntos, não consigo pensar em algo mais necessário: respeito.

Respeite minhas dores, minhas cicatrizes, meus tramas. Não ultrapasse a minha linha amarela. Não invada meu santuário.

Só assim as pessoas conseguem ser felizes.

2 comentários:

  1. Obrigada pelas belas palavras e a sensibilidade de sempre, Bá. Sempre no momento certo. beijão!!

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    1. Sensibilidade é nosso sobrenome, Mari. Obrigada! ♥

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