terça-feira, 19 de novembro de 2013

"Poucas palavras, mas coração aberto"


“E a esperança de que ele esteja bem, seja onde for,
Não diminui o vazio que ele deixou”
(Gabriel O Pensador – Pra Onde Vai?)

Há sete anos, quando o sinal da saída do colégio soava, eu descia voando as escadas para te abraçar. Eu te encontrava encostado no portão e te via abrir os braços como quem queria agarrar o mundo antes de me entrega-lo em um abraço apertado, quente, carinhoso.

Há sete anos eu sabia que, não importa quão grandes fossem os meus problemas – que naquela idade me pareciam tão dramáticos -, você estaria lá para me ajudar a resolver. Eu podia te ligar e ouvir sua voz serena dizendo “fica tranquila que a gente vai dar um jeito”.

Há sete anos eu ainda era uma criança inocente e afoita demais para me dar conta do quanto o seu coração era enorme. Eu não tinha a dimensão do amor que você dedicava a todos que corriam por você, do seu lado.

Há sete anos eu tinha o coração mais apertado. Vivia preocupado com as suas estripulias, as besteiras que você fazia. Como quando aquele dia que batemos o carro do seu pai, lembra?! Eu desesperada e você me abraçando dizendo que tudo ia ficar bem.

Eu, sinceramente, não sei como seria se você ainda estivesse aqui. Guardo comigo a certeza de que tudo seria diferente. Talvez todos nós fôssemos mais unidos, e talvez eu nem tivesse conhecido as pessoas que conheci depois que você se foi.

Talvez você dançasse comigo uma das valsas da minha formatura, no ano que vem - mas teria que jurar para minha mãe que ia se comportar, é claro.

Hoje, depois de sete anos, eu ainda não consigo entender porquê você se foi. Mas eu sei que as marcas que você deixou estão impregnadas em tudo que eu sou hoje.

Com você eu aprendi a ser leal. Eu aprendi a ser amiga. Eu aprendi a ser cuidadosa, mas também um pouco porra louca (ninguém esquece o primeiro porre). Com você eu aprendi a dizer “eu te amo” e a ser chamada de “princesa”.

Nós éramos tão novos... Você foi viajar, eu fui para um show. Ainda usávamos o Orkut, e seu último scrap antes de partir era meu. Um singelo “eu te amo”, como se eu pudesse prever que aquele seria o derradeiro.

Você foi embora e eu não acreditei. Demorei uma semana para chorar pela primeira vez, simplesmente porque era impossível acreditar.

Hoje fazem sete anos, e quando eu penso em você ainda me sinto aquela garota que se sentia protegida de todos os males do mundo só porque era sua amiga. E eu sei que eu não era a única. Era impossível estar perto de você e não se sentir livre de qualquer perigo.

Ainda hoje, sei que você me protege. E ainda consigo lembrar do seu sorriso tão grande, tão lindo e tão doce. Pode acreditar que eu continuo aqui, sorrindo a cada vez que lembro de você.

Obrigada por ter me escolhido para fazer parte do seleto grupo de pessoas que podem ter a certeza de que foram amadas por você. Essa é uma honra que nem sete, catorze, ou cem anos podem me tirar.

Eu amo você, Sté. 

2 comentários:

  1. Nossa que lindo , amei c;

    Venha me visitar http://nao-permito.blogspot.com.br/

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