quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Perdão e pieguismo

http://migre.me/gYkq4

"Desculpas é que eu não vou pedir
Pelo que quero e o que não quero fazer"
(Os Paralamas do Sucesso – Esqueça O Que Te Disseram Sobre O Amor)



Das muitas vezes em que disse “eu te desculpo” a alguém, só algumas foram verdadeiras. E quando eu digo “verdadeiras”, quero dizer “de coração”. Grande parte delas resumiu-se a minha consciência me obrigando a perdoar alguém só porque diplomacia é importante.

A gente aprende desde pequeno – na escola, em casa, na igreja – que perdoar é importante. E tenho certeza que é. Mas acabamos crendo que perdoar também é uma obrigação. É como se somente pessoas más fossem capaz de rejeitar pedidos de desculpas. Quem é bom de verdade sempre dá a outra face.


Os grandes perdões da minha vida nem necessitaram de pedidos. Necessitaram mesmo é de tempo. E não foram dias ou semanas, não. Foram meses, quiçá anos. Precisei de tempo para saborear todos os sentimentos que vieram antes do perdão.

Eu senti raiva de algumas pessoas. Guardei mágoa. Quis vê-las longe de mim. E se tudo isso me faz uma pessoa ruim, que assim seja. Sem curtir até o último resquício todos esses sentimentos “ruins”, eu jamais teria limpado minha alma deles.

As únicas duas ou três pessoas que eu perdoei de verdade precisaram passar um bom tempo longe dos meus olhos e da minha vida. E só por isso o meu perdão é verdadeiro.

Até porque, eu precisei me perdoar também. Eu precisei olhar para dentro de mim e parar de me fazer de vítima. Precisei descobrir as minhas próprias atitudes, e ver que ninguém me guiou para um caminho de dor sozinha. Em algumas situações eu fui infantil, em outras, ranzinza, e em algumas, eu era apenas uma criança imatura ou uma pessoa magoada.

Tem uma frase do Jean-Paul Sartre, que foi meu norte em um dos momentos mais difíceis da minha vida: Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.

Eu, por bastante tempo, quis fazer com que tudo ficasse bem aos olhos dos outros. Bobagem. As únicas vezes em que consegui deixar as coisas certas foram aquelas em que eu fui fiel a mim mesma, doesse a quem doer.

E hoje, tanto desafeto e dor se transformaram em perdão. Perdões meus aos outros, dos outros a mim e de mim a mim mesma. E quer saber? Perdoar é mesmo um presente. É como se você carregasse um baú por anos e jogasse-o no mar, enquanto corre pela areia e dá estrelinhas na beira da praia.

Mas, se para isso, você precisar se afastar, sentir raiva ou qualquer outro tipo de frustração, sinta. Às vezes as coisas precisam arder para curar. Deixe que arda! Você, só você, sabe como encontrar o caminho para dentro de si mesmo. O resto é só pieguismo.

13 comentários:

  1. Amiga, não temos que nos preocupar com maiores explicações e definições sobre o amor, temos mais é que sentí-lo com intensidade!
    bjus
    fb http://www.elianedelacerda.com

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    1. Tem razão, Elyane! Não tem forma melhor, não é?
      Obrigada e volte sempre que quiser! :')

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  2. Bárbara, gostei muito do texto, é isso mesmo, desculpar alguém de verdade, é desculpar de coração, mas é taõ difícil né?pois somos humanos orgulhosos que precisamos brigar todos os dias com esse sentimento ruim e o primeiro passo foi oq vc fez, reconhecer esse sentimento, deixe arder, como vc disse :-)muito bom!
    FB

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    1. Obrigada, Aphrodite! Cada um tem seu caminho até o perdão, não é? O importante é ser sincero consigo mesmo e com o outro. Volte sempre! :')

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  3. "Às vezes as coisas precisam arder para curar."
    Exatamente isso! Perdoar de verdade não é uma tarefa fácil não. Perdoar a si mesmo então é o perdão mais difícil! Mas quando a gente consegue, ah, é muito bom! http://erikaruggio.blogspot.com.br/ fb

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    1. Exatamente, Erika. O importante é que cada um ache seu caminho para o perdão, sem se importar com o que os outros acham.
      Volte sempre que quiser! Eu estou acompanhando o seu blog! :')

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  4. Bárbara, você leu a minha mente? Meu coração? Seu texto expressou o que sempre esteve aqui dentro... Tudo muito definido e correto: é assim que defino sua criação. Você é genuína, clara, mas de uma eloquência única. Parabéns querida, você em futuro!
    Beijos!
    FB http://sacudidordepalavra.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, Iago! Que bom ouvir isso!
      Fico feliz que você tenha se identificado com o texto. Acho sempre bom quando isso acontece, não é?
      Volte sempre que quiser! :')

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  5. É ai que entra a linha tênue entre desculpar e perdoar. A gente sempre fala que desculpa, mas o perdão como você mesma disse vem com o tempo.
    Eu recentemente passei por todo esse processo. Foi sofrido, doloroso. Tinha dias que eu queria gritar, queria fugir de mim mesma, de tudo que estava sentindo. Ate que aquele velho amigo, o tempo sabe?
    Veio e fez com que eu perdoasse a mim mesma e depois perdoasse a pessoa. E isso me tornou mais leve, me deixou em paz.
    Desculpa o testamento, é que me lembrei! rs
    Adorei seu blog!

    Beijos

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    1. Obrigada, Ariana! Acredito que o caminho para o perdão é único e muito pessoal. O importante é acha-lo de uma maneira que não agrida seus próprios sentimentos. Quando o encontramos, com certeza ficamos mais leves, felizes, em paz. É um aprendizado contínuo, não é?
      Muito obrigada pela visita e volte sempre, viu?! =')

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  6. Amei essa frase: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”. Pois é, temos que esquecer o mal e fazer o bem, quem tem o conhecimento tem sempre mais responsabilidade, eu nunca esqueço isso, o problema é praticar.
    Lindo!!!!!
    Beijinhos.
    Cila- leitora voraz
    OBS: FB
    seguidora: leitora voraz

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    1. Obrigada, Cila! Vamos usar esse conhecimento ao nosso favor, não é?
      Volte sempre, querida!

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  7. esqueci de colocar o blog: http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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