segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Imprevisto

http://migre.me/hC3Tz

"Well life has a funny way of sneaking up on you"
(Alanis Morissette - Ironic)

Saí de casa e percebi, ao descer a rua, que meu caminho para o metrô estava interditado para obras.

Parei por alguns segundos tentando achar uma brecha no meio da confusão, mas era mesmo impossível descer a ladeira que eu desço todo dia há anos.

Gastei mais alguns segundos praguejando contra o imprevisto que me faria dar uma volta inteira antes de chegar ao meu destino. “Vou chegar atrasada de novo”, resmunguei.

Mas, não tinha jeito. Virei a esquerda e me pus a andar.

Foi quando percebi há quanto tempo não passava por aquela rua. A minha rua. A rua em que passei a minha infância todinha.

Fui encarando aquelas casas e me lembrando de todos os antigos vizinhos, que sempre me trataram bem quando eu era só uma criança.

Tinha a casa daquela menina mais velha, que foi quem me mostrou como era legal ter um diário.

A casa cheia de plantas, flores e frutas. Um pomar por onde eu adorava passar, tocando cada árvore e me sentindo numa daquelas florestas enormes.

Foi quando olhei, ali no fim da rua, a minha antiga casa. Na verdade, a casa era da minha avó, mas veja bem.

Não sobrou quase nada da fachada antiga. Em meio as frestas do novo portão encarei a grande porta que levava até os fundos, onde ficava a casa na qual eu passei os momentos mais nostálgicos dessa vida.

Lembrei dos tombos na escadaria, das tardes brincando de escolinha, de correr com a bola de basquete ou de jogar handebol sozinha.

Lembrei da minha avó, do meu avô, da minha mãe. Lembrei até do dia em que descobri que a gente se mudaria de lá. Que saudades, meu Deus, que saudades.

Olhei para o outro lado da rua e me deparei com aquela praça. Aquela na qual eu passei tardes tentando escalar as árvores, tentando andar de bicicleta ou simplesmente correndo. Lembrei de como ela ficava linda quando o outono chegava derrubando as pétalas amarelas no chão.

Continuei caminhando e vi o casarão vazio, o bar da esquina, todas aquelas casas que permaneciam no mesmo lugar. Dei risada alto quando cheguei ao mercadinho que eu ia sempre com minha avó. Nem acreditei que ele ainda estava lá!

Andei mais umas quadras e cheguei ao metrô. Não olhei no relógio pra ver quanto tempo eu havia me atrasado. Só conseguia pensar em como o tempo passa, em como eu fui feliz, em como eu tive uma infância que muitas crianças infelizmente não puderam ou podem ter.

Não sei se amanhã, quando eu sair para o trabalho, aquela rua ainda estará interditada. Mas, se estiver, prometo não praguejar.

Hoje eu aprendi o valor de um imprevisto afortunado. Tomara que todo mundo saiba reconhecer um quando se vir frente a ele.

16 comentários:

  1. Lindo seu texto,voce escreve muito bem menina,amei ja posso ser fã agora?Voce toma la no fundo com cada frase ,to viciada no blog,parabens seu trabalho é lindo.
    FB: http://kallisantos.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, Kalliane! Fico super contente de ler isso. Espero que você continue acompanhando e gostando! ;')

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  2. É escritora? Nunca vi alguém escrever tão bem! Adorei! Beijoooooooooooooooooooooos

    FB:
    Mary Silverio
    www.maryanesilverio.blogspot.com.br

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    1. Jornalista que quer ser escritora também, Mary, rs. Muito obrigada! Volte sempre que quiser!

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  3. Nostalgia é uma coisa maravilhosa!

    Martha Balieiro
    FB

    www.marthabalieiro,blogspot.com.br

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  4. Li alguns dos seus textos e AMEI. Muito lindos, parabéns
    Seguindo o blog, beijos
    FB
    http://amordeumapoeta.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Innara! Volte mais vezes, por favor! :)

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  5. FB

    Olá adorei o seu texto vc tem muito talento eu amo relembrar e ver como fui feliz na infancia ^^

    blogoimana.blogspot.com.br

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    1. Muito obrigada, Thaynã! Ótimo ter boas lembranças, não é? Volte sempre!

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  6. Oi Bárbara, adorei o texto e foi muito bom refletir um pouco sobre imprevistos e como, às vezes, um imprevisto pode ter um lado bom e nos leva a lugares inimagináveis. bjs
    FB
    http://todaprincesamerece.blogspot.com.br/

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    1. Temos que aproveitar as boas surpresas que a vida nos oferece, Julini! Volte quando quiser!

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  7. Bárbara do céu, você se descrevendo, tava me vendo. kkkk, libriana, ciumenta, TPM daquelas de lascar o cano, kkkk sonha, ri, chora, só faltou você dizer que gosta de bichos, quando vê uma injustiça parte pra defesa. Mas quanto a reclamar dos imprevistos, realmente, quantas vezes reclamamos e não é que esses imprevistos vêm a calhar? São providenciais pra que algo de bom depois aconteça ou algo de ruim não aconteça. Eu, sinceramente, estou aprendendo isso aos poucos. Mas amei o seu texto, faz a gente voltar no tempo, quando nos tocamos, estamos morrendo de saudades de um tempo que não deveria passar nunca. Xiiii, viajei né? Sou assim, falo pelos cotovelos.

    Beijos Flor e uma semana de bençãos !

    Gleide - FB

    www.caixadebugingangas.com.br

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    1. Eu AMO bichos, Gleide! Sou vegetariana há seis anos por isso! Rs. Fico feliz que a gente se identifique!

      É isso mesmo. Também estou aprendendo a lidar com os imprevistos e, principalmente, a ver o lado bom de cada situação - até da saudade.

      Obrigada pela visita e volte sempre! :')

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  8. Sou extremamente saudosista... sofro todas as vezes em que passo perto das casas onde morei.
    Lembro dos bons momentos e chego a chorar rs.

    FB
    paulapimentamakeup.blogspot.com.br

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    1. Paula, o importante é guardar o que há de bom das nossas lembranças!

      Volte sempre!

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