sexta-feira, 14 de março de 2014

O autoconhecimento não é indolor

http://migre.me/ijlSl

"And like a little girl cries in the face of a monster
That lives in her dreams
Is there anyone out there cause it's getting harder
And harder to breathe"
(Maroon 5 – Harder to Breathe)

Logo que postei o primeiro texto sobre ansiedade aqui no blog, no ano passado, muitas pessoas vieram conversar comigo. Algumas desconhecidas, mas outras muito próximas. Fiquei espantada com o número de pessoas perto de mim que sofre com esse problema sem que eu tivesse a mínima ideia.

Acho que muito disso acontece porque, no dia a dia, tratamos a ansiedade como algo normal. É normal esperar por algo, criar expectativas, sentir aquele friozinho na barriga. Alguns especialistas dizem que uma certa dose de ansiedade é bom para manter corpo e mente alertas em situação de perigo. O problema é quando isso acontece toda hora.

Muita gente me procurou para dizer que também sofre, para falar que se identificou com os sintomas, pra perguntar o que fazer, qual o tratamento, se isso tem cura, etc. Não sou psicóloga e não tenho nenhum tipo de formação sobre o assunto, mas aprendi algumas lições por experiência própria.

Depois de quase dois anos de terapia, tem algo que eu considero essencial ter aprendido: a ansiedade, como qualquer doença, precisa ser cortada pela raiz. Não adianta apenas tratar os sintomas, entende? É preciso identificar da onde nasce sua natureza ansiosa.

É óbvio que tratar os sintomas também é importante. Descobrir maneiras de aliviar uma crise de ansiedade ajuda muito. Elas são realmente desesperadoras, emocionalmente e fisicamente. Mas o mais importante é impedi-las de acontecer. É por isso que eu acho a terapia tão essencial.

O problema é que isso não é indolor. Mexe com o nosso autoconhecimento. Muitas vezes temos que remexer em feridas, traumas e relações quase sagradas. Comecei a perceber minha melhora quando descobri o padrão de comportamento que sempre me levava – e ainda leva – à ansiedade: insegurança, ciúmes, baixa autoestima e, principalmente, minha mania de querer controlar tudo.

Também é preciso ser humilde. Quando minha psicóloga me chamou de controladora pela primeira vez fiquei super ofendida. “Eu, controladora?” Sim, demais. E foi só depois de aceitar esse comportamento que eu comecei a tentar evitá-lo. Digo que hoje, uma luz vermelha se acende na minha mente cada vez que eu percebo que estou tentando controlar o incontrolável. É um aviso para que eu pare por aí – não que eu consiga sempre, claro.

Ouço quase toda semana na terapia a mesma explicação: “o controle é bom para coisas práticas, como controlar a dispensa de casa, a gasolina do carro, a conta bancária, etc, mas não dá pra controlar vidas e pessoas”.

Uma coisa é, uma vez ou outra, ter medo de perder quem se ama. Outra, bem diferente, é controlar o celular dele, as redes sociais, a vida social e etc – lembro que já cheguei a ouvir de um ex-namorado que “nosso relacionamento não funciona perto de outras pessoas, temos que ser só nós dois, isolados do mundo” (!).

Enfim, assumir meus pecados foi essencial para que eu pudesse controlar melhor minha ansiedade. Meu namorado diz que o meu problema é que eu “me conheço demais”. Fico tentando entender tudo dentro de mim e acabo remexendo em feridas, não deixando que elas cicatrizem. Pode ser, mas eu prefiro assim. A gente não modifica aquilo que não conhece.

São anos de psicóloga, alguns remédios fitoterápicos para noites insones e diversas terapias ocupacionais (da meditação ao artesanato), mas se perguntarem o que mais me ajuda a superar a ansiedade, eu diria que é o autoconhecimento – que é resultado de tudo isso também.

E como autoconhecimento é algo contínuo, sempre digo que a terapia também deve ser. Fiz a basteira de dar uma pausa nela uma vez, e não fui bem-sucedida (dei uma boa regredida e voltei correndo para o divã).

Não acho que existe receita universal, porque cada ser humano é único. O importante é procurar dentro ou fora de si algo que faça nossa respiração mais leve e nosso coração mais sossegado. Não sei se ansiedade tem cura, mas só temos duas opções: enfrente ou em frente.



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