terça-feira, 22 de abril de 2014

Autopreservação

http://migre.me/iT2p8
"Eu faço da dificuldade
A minha motivação
A volta por cima
Vem na continuação"
(Charlie Brown Jr. - Pontes Indestrutíveis)

Na semana passada, quando saí da terapia, minha psicóloga me deu um conselho: “é época de Páscoa, Bárbara, aproveite para renascer também”. Não sou católica praticante e nem costumo me importar muito com o significado religioso de certas datas, mas confesso que aquilo ficou na minha cabeça.

Há algumas semanas voltei a assistir uma série que eu nunca consegui terminar: “Lost”. E antes que vocês me perguntem o que aquela ilha tem a ver com a Páscoa, eu já adianto que nada. É só que é impossível assistir “Lost” sem ficar com a constante sensação de que nada nessa vida é por acaso. Aquela frase também não foi.

Sou daquele tipo de pessoa que sofre miseravelmente por tudo e qualquer coisa. Cada pequeno problema é o fim do mundo, cada imprevisto é um enorme obstáculo e cada obstáculo é o sinal necessário para o pessimismo tomar conta. Sou usuária do coitadismo e da vitimização, mas não por mal.

Também sou a espécie de gente que precisa chegar ao fundo do fundo do fundo do poço para recomeçar. Enquanto o mundo não tiver realmente acabado, eu continuo lá sofrendo por ele. Mas quando eu acho que acabou, bom, “a volta por cima vem na continuação”.

Estou dando voltas e voltas e voltas para dizer que o mundo acabou. Acabou porque não estava mais dando para sofrer daquele jeito, para abdicar a mim e ao que eu penso ou gosto. Acabou e eu me sinto estranhamente livre.

Livre para dizer que não, eu não gosto de você. Não quero sua amizade, não quero sua companhia, não quero seus conselhos. E de você ali? Também não. E, sinceramente, não estou me importando para o que você vai dizer.

Ah, mas e se você ficar triste, chateado ou me odiar para sempre? Bom, vou ter que aprender a viver com isso. Vou ter que aprender a lidar com o fato de que existem uma, duas, três, dez pessoas que me odeiam nesse mundo mesmo que eu não tenha feito nada para isso (ou talvez eu tenha, vai saber). Mais que isso. Vou ter que entender que não dá para passar por essa vida sem contrariar, magoar ou irritar alguém.

E não vem com esse papinho de egoísmo. Autopreservação é o nome correto.

Então, me desculpem todos vocês, mas a partir de hoje eu os quero longe. Porque eu me quero bem.

3 comentários:

  1. Barbara, toda vez que visito o seu blog fico boba ao me deparar com palavras que me descrevem.
    Sou assim, me vitimizo e quando deixo de ser me chamam de egoísta. Mas dou outro nome pro que você acabou de escrever, é autoconhecimento do amor próprio.

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    Respostas
    1. Fico feliz que você se identifique, Ariana! É sempre bom. O importante é se conhecer mesmo, só assim podemos mudar e aprender a lidar com o que somos. (:

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