terça-feira, 29 de abril de 2014

(C)Alma

http://migre.me/iZH15
“Minha velha alma
Cria alma nova
Quer voar pela boca
Quer sair por aí”
(Zeca Baleiro – Alma Nova)
“Mantenha a calma”, eu repito para mim mesmo umas quinze vezes ao dia. Não, eu nunca fui boa nisso.

Nunca fui boa em respirar fundo ou contar até dez (com exceção dos pranayamas da aula de ioga). Sempre fui melhor na explosão de ansiedade ou no estresse reprimido.

Passei 21 anos tentando mudar essa minha natureza ansiosa, nervosa, tensa. Sempre pensei que todas as minhas atitudes deveriam ser voltadas para isso, essa mudança. Aí eu percebi que natureza não se muda.

Entendi que eu posso passar mais 80 anos fazendo de tudo para me tornar uma pessoa calma, serena e tranquila, mas que, provavelmente, isso só me deixaria mais nervosa. Compreendi que antes de mudar minha essência, eu enlouqueceria. Certas coisas não se forçam.

Tive, então, que começar do zero. Descobrir alguma forma de simplesmente viver com o que eu tenho: o coração acelerado, o frio na barriga, a adrenalina jorrando. Não que eu tenha simplesmente aceitado viver nesse grau de alerta e tensão máximo, mas compreendi que preciso aprender a lidar com ele, controlá-lo e não medir montanhas e rios para extingui-lo ou fingir que ele não existe.

O mais difícil é aprender a não me culpar. A não me subjulgar cada vez que eu falho na missão, não me sentir mal por tudo que acontece ao meu redor como se eu pudesse ter impedido caso eu fosse diferente. Eu não sou Deus.

Para não me culpar também tive que entender que não sou responsável pelo que os outros pensam sobre mim e que a opinião deles não deve me importar tanto assim (salvo aquelas das pessoas que amo). Eu não tenho controle sobre o sentimento alheio e não sou um monstro por fazer coisas que não agradam a todos.

Assimilar isso tudo ainda é difícil e eu nem sempre tenho sucesso nessa tarefa. Durante o caminho, por vezes, o que me resta é respirar fundo e contar até dez. Ninguém disse que ia ser fácil, disse?

4 comentários:

  1. Eu ás vezes preciso contar ate mil, mas é difícil me controlar, manter a calma sabe e mais difícil ainda conviver com as pessoas que não entendem/aceitam esse jeito.

    Adorei!

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    1. É um aprendizado diário, Ariana. O que não pode é desanimar ou se deixar consumir. Força! ;')

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  2. Impressionante como me identifico com boa parte do que você escreve, Bárbara. Seus textos são verdadeiros presentes para mim. Beijos. Dani.

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    1. Dani, nada me faz mais feliz do que ouvir esse tipo de coisa. Espero que você sempre ache um pouco de aconchego por aqui. ;')

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