sexta-feira, 23 de maio de 2014

Senso de justiça


Quando eu era pequena, minha mãe brigou com o cara que disse que meu desenho estava feio. Depois, meu avô brigou com o cara que brigou com ela.

Quando eu estava na quinta série, tinha uma menina que odiava minha melhor amiga e eu tomei as dores dela. Troquei bilhetinhos de fúria e quase levei uns safanões das meninas mais velhas.

Alguns anos depois, comecei a namorar um carinha que vivia se metendo em confusão. Briguei com todas as pessoas que brigaram com ele também.

Sempre fui bastante tolerante ao que fazem comigo, mas nunca admiti que fizessem mal aos meus amigos. Quando eles faziam (e ainda fazem) algo errado, eu podia enchê-los de sermões e broncas, mas nunca deixei que falassem mal deles perto de mim. Se o injustiçassem então, ficava louca de raiva!

Dizem que librianos tem um senso de justiça imbatível. Acho que já fui injusta com bastante gente, até porque, a justiça das coisas pessoais é exatamente assim: pessoal. Ainda assim, mesmo que apenas na minha verdade, sou daquelas pessoas chatas que não consegue ver algo errado e ficar calada.

Isso tudo tem seu lado bonito, mas também tem um lado feio que só eu conheço: o de ficar estressada por problemas que não são meus, criar situações embaraçosas que nem existiriam não fosse minha intromissão e passar dias (semanas, meses, anos e etc) remoendo raiva, mágoas e rancores que, como as pessoas dizem, “poderiam ser evitados”.

Mas a questão é que tudo poderia ser evitado. A gente pode se isentar de toda e qualquer questão para evitar problemas, confusões, estresse. Eu mesma deveria fazer isso com mais frequência, confesso, mas não consigo.

Nunca gostei de quem fica em cima do muro, não toma partido, não compra briga. Se você vê uma pequena ação errada e não faz nada, quem garante que fará quando o erro for grande? Se você não defende quem ama nas pequenas coisas, vai defender nas maiores?

Já levantei bandeiras erradas, já defendi quem não merecia, já fui injusta, fiz burrada e tive que me desculpar. Já chorei de nervoso, dormi estressada e fiz uma lista de inimizades. Ainda assim, nunca me arrependi.

Aprendi lá atrás, com a minha mãe, meu avô e meus amigos, que defender quem amamos e quem precisa é um princípio, um valor, uma virtude. Tem seu preço, mas também sua recompensa. 

2 comentários:

  1. "Quando eu estava na quinta série, tinha uma menina que odiava minha melhor amiga e eu tomei as dores dela. Troquei bilhetinhos de fúria e quase levei uns safanões das meninas mais velhas."


    Sei não mas conheço essa história! <3

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    Respostas
    1. "Por você, faria isso mil vezes", amiga! ♥

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