terça-feira, 10 de junho de 2014

Desafie-se

http://migre.me/jKlAE

"Estou a postos só para o mínimo, o máximo. 
Para o que importa mesmo.  
Para o mistério. A verdade. O caos.
 O céu. O inferno.  Essas coisas."
(Autor desconhecido)

Me apaixonei pelo meu namorado porque, desde o começo, ele me desafiou. Eu dizia que nós nunca daríamos certo e ele ria de mim. Eu dizia que era melhor a gente parar por ali e ele sempre me fazia ir um pouco mais além.

Ele me desafia até hoje quando faz transbordar em mim o que eu tenho de ruim para me mostrar como transformar aquilo em bom. Ri de mim quando mostra meus defeitos e minhas neuras e me faz querer ser melhor.


Na minha primeira sessão de terapia com minha atual psicóloga, ela me mandou voltar para casa e decidir se eu gostaria mesmo de continuar me consultando com ela. “Se você está esperando alguém que te ouça quieta, desista. Eu vou te desafiar”, ela disse. Eu acho que a escolhi por isso.


Às vezes ela me surpreende quando joga na minha cara meus defeitos. Quando diz que eu sou controladora, insegura e até mimada. Ela me ensinou a ser humilde e, antes de me defender, pensar se aquilo realmente não faz sentido. E, olha, quase sempre faz.


Sempre gostei de ser desafiada. Todos os caras com que me envolvi e não fizeram isso, caíram por terra. Tenho pouquíssimas amigas parecidas comigo, e mesmo essas estão sempre me fazendo confrontar com o que eu não gosto em mim ou com o que eu sei que tenho que tenho melhorar. Na minha casa, sou desafiada constantemente (a ser paciente, a ser proativa, a ser mais serena etc).


Nunca tinha parado para pensar nisso antes de hoje, mas agora faz todo o sentido do mundo.


Esses dias li um texto lindo em que a autora dizia que nunca entendeu quem prefere o sexo de reconciliação a dormir de conchinha ou quem prefere o caos a tranquilidade. Eu, infelizmente, sou assim, embora morra de saudade da calmaria quando a coisa aperta.


Não gosto disso. Acho que soa arrogante, egoísta, masoquista. Odeio essa necessidade de estar sempre fervendo por dentro, morrendo ou matando, tão oito ou oitenta. Há alguns anos descobri que nada paga a paz de estar em paz (parece pleonasmo, mas não é), mas, ainda assim, às vezes peco pelo vício – maldita adrenalina que me enfeitiçou!


E aí, eu respiro fundo. Penso em tudo que já aprendi até agora (nos livros, nos cursos de meditação, na yoga, na terapia, nessa vida maluca) e tento equilibrar esse meu ying e yang. Tento aprender que ser movida por desafios é bom (amo minha psicóloga e meu namorado é o cara que mais me fez e faz feliz nesse mundo inteiro), desde que você não seja sugada por eles - como tantas, tantas e tantas vezes eu já fui.


Acho que a chave da vida é mesmo esse tal de equilíbrio. Ache o seu se puder!


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